Vinde às bodas!
Felizes os convidados para o banquete das núpcias do Cordeiro. (Ap 19,9)
O reino dos céus é semelhante a um rei, que preparou as bodas para o seu filho. Enviou os seus servos a chamar os convidados para as bodas, mas estes não quiseram vir. Enviou de novo outros servos, dizendo: «Dizei aos convidados: Eis que preparei o meu banquete, os meus bois e as reses gordas foram abatidas; tudo está preparado. Vinde às bodas!». Mas os convidados não fizeram caso: um foi para o seu campo, outro para o seu negócio, e os restantes agarraram nos seus servos, insultaram-nos e mataram-nos. O rei ficou irado: enviou os seus exércitos, destruiu aqueles assassinos e queimou a sua cidade. Disse, então, aos seus servos: «A boda está preparada, mas os convidados não eram dignos. Ide, pois, às encruzilhadas dos caminhos e chamai para as bodas aqueles que encontrardes». E, saindo pelos caminhos, os servos reuniram todos os que encontraram, maus e bons, e a sala do banquete ficou cheia de convivas. Mas, quando o rei entrou para observar os convivas, viu ali um homem que não estava vestido com o traje nupcial. E disse-lhe: «Amigo, como entraste aqui sem teres o traje nupcial?». Mas ele ficou calado. O rei disse, então, aos serventes: «Atai-lhe os pés e as mãos e lançai-o para as trevas exteriores; aí haverá choro e ranger de dentes». Pois muitos são os chamados, mas poucos os escolhidos. Mt 22,1-14
Esta brochura do Movimento Marianíssimo de Sacerdotes e Leigos apresenta a Santa Igreja como Esposa de Cristo: a parábola de Jesus sobre o banquete nupcial do rei, o mistério da tríplice Santa Igreja, a vida nupcial de numerosos santos e a Santa Missa como sol e banquete nupcial da nossa vida, com testemunhos da graça e da perseguição da Igreja no nosso tempo.
Índice
- Prefácio
- O Mistério da tríplice Santa Igreja
- Anseio nupcial
- A Santa Missa – o sol da nossa vida
- Vinde às bodas!
- As lágrimas da Mãe
- Um guia silencioso para a fé católica
- Os peixes na rede da Igreja
- A Igreja perseguida
- A conversão de um actor
- A estrela divina e a alma nupcial
- Oração pelas vocações sacerdotais e religiosas
Prefácio
Deus concebeu para os homens um único caminho para a bem-aventurança eterna, e este caminho é o próprio Jesus Cristo, o Filho de Deus feito homem. Ele disse: Ninguém vai ao Pai senão por Mim. Eu sou o caminho. (Jo 14,6) Jesus preparou-nos este caminho pela entrega amorosa da Sua vida na cruz, como expressão do amor supremo e da glorificação do Pai (cf. Jo 17,1-5), e como sacrifício de expiação de suavíssimo odor para a redenção dos homens (cf. Ef 5,2). Como único e Sumo Sacerdote Eterno da humanidade, Cristo deixou verdadeira e substancialmente à Sua Igreja, no mistério da Eucaristia, o sacrifício da Sua entrega de amor sobre o altar da cruz. Nisto Cristo uniu inseparavelmente a actualização do Seu sacrifício da cruz ao Seu banquete nupcial. Este banquete nupcial Ele celebra na entrega da Sua Carne e do Seu Sangue à Sua Esposa, a Igreja, e a cada alma crente e amante. O maior acto de amor em toda a história da criação e da humanidade é a entrega sacerdotal de Jesus Cristo na cruz. Ela é celebrada aqui na terra, no sacramento da Eucaristia, até à Sua segunda vinda.
Felizes os convidados para o banquete das núpcias do Cordeiro. (Ap 19,9) Estas palavras revelam o sentido mais profundo do fim para o qual Deus criou os homens. Criou-os para os fazer participar da Sua própria vida divina, e esta vida é a vida sobrenatural e eterna. A participação na vida divina significa a mais alta bem-aventurança e alegria; para isso está a imagem do banquete nupcial. É a visão beatificante da essência inefável e insondável do próprio Deus. A vida eterna é uma vida de união íntima da criatura com o seu Criador. Deus é amor (1 Jo 4,8), e por isso só se pode ser um com Ele amando. A bem-aventurança eterna no Céu é o cumprimento mais alto possível do primeiro e mais importante mandamento, a saber, amar a Deus de todo o coração, de toda a alma, com toda a inteligência e com todas as forças. (cf. Dt 6,4-5; Mc 12,30)
Este acto de amor é tão grandioso que subsistirá por toda a eternidade como memória e como liturgia celeste, como nos anuncia o Apocalipse na imagem do banquete nupcial do Cordeiro. Por isso Cristo permanece também no Céu, por toda a eternidade, como Sumo Sacerdote. (cf. Heb 7,24)
Jesus Cristo, o Sumo Sacerdote Eterno, é o único caminho para a bem-aventurança eterna. Contudo, Ele uniu inseparavelmente este caminho à verdade, porque Ele mesmo é a verdade. (cf. Jo 14,6) Para dar testemunho da verdade («martyrein» em grego) veio Ele ao mundo (cf. Jo 18,37), e Ele mesmo é a testemunha («martys» em grego), o Fiel («fidelis») e o Verdadeiro («verus») em pessoa. (cf. Ap 3,14) Daqui reconhecemos que o caminho para a bem-aventurança eterna, para o banquete nupcial do Cordeiro, é um caminho de fé incondicional e de permanência na verdade, até ao martírio. Sem a fé, isto é, sem a fidelidade às verdades reveladas por Deus, é impossível agradar a Deus (cf. Heb 11,6), isto é, impossível entrar no Céu.
Nada é mais estranho ao sentido de Jesus Cristo e ao Evangelho do que entender ou viver o cristianismo e o caminho para o Céu como um passeio sentimental, moldado segundo o gosto individual, ou como um opulento menu à la carte. Um tal cristianismo seria sem cruz, sem sacrifício, sem obediência à clara vontade de Deus, sem abnegação. Seria, portanto, um cristianismo sem verdadeiro amor sobrenatural, e por isso sem verdadeira alegria, sem um verdadeiro banquete nupcial do Cordeiro, porque o Cordeiro é, na sua essência, um ser inocentemente imolado. Tal cristianismo seria uma ilusão. Seria um cristianismo do «ego», e por isso o maior contraste com o próprio Cristo e com o verdadeiro cristianismo, ou seja, a sua caricatura mais feia.
A Igreja teve consciência desde os seus inícios do perigo que representa um cristianismo ilusório e caricatural, sem cruz e sem verdade, e por isso também sem amor. Por isso os primeiros cristãos e, desde então, todas as gerações dos verdadeiros fiéis católicos tomaram sempre a peito estas palavras do apóstolo Judas (Tadeu): Lutai pela fé que, de uma vez para sempre, foi transmitida aos santos. Lembrai-vos daquilo que foi predito pelos apóstolos do nosso Senhor Jesus Cristo. Eles diziam-vos: «No fim dos tempos aparecerá gente que escarnece de tudo, que vive de acordo com as suas ímpias paixões». É essa gente que provoca divisões e que segue apenas os impulsos naturais, por não ter consigo o Espírito. Vós, porém, amados meus, edificando-vos uns aos outros na vossa santíssima fé e rezando no Espírito Santo, conservai-vos no amor de Deus, esperando a misericórdia do nosso Senhor Jesus Cristo, que conduz à vida eterna. Sede misericordiosos para com aqueles que vacilam e salvai os outros, arrancando-os ao fogo. (Jd 3,17-23)
A maior e mais eficaz ajuda no longo, penoso e perigoso caminho para a bem-aventurança eterna é o próprio Jesus Cristo, e isto com o dom do Santo Sacrifício da Missa, a presença verdadeira do Seu sacrifício da cruz e o alimento do Seu Corpo e do Seu Sangue. Este é o maior tesouro, o verdadeiro sol espiritual da Igreja. Sim, isto é já aqui no vale de lágrimas uma antecipação do banquete nupcial do Cordeiro na vida eterna.
O Santo Sacrifício da Missa e a Sagrada Comunhão são também os meios mais eficazes para que a alma cresça no verdadeiro amor eterno a Deus, no amor nupcial a Ele. E isto significa, por sua vez, nada menos do que santidade de vida.
Deus quis que o sacrifício da cruz, com a transubstanciação do pão e do vinho no Corpo e no Sangue de Cristo, só os sacerdotes o possam realizar sacramentalmente. Sem sacerdotes não há Santo Sacrifício da Missa nem Sagrada Comunhão, e, por conseguinte, o verdadeiro sol espiritual se extingue na vida da Igreja. Contudo, precisamos não só de sacerdotes, mas sobretudo de sacerdotes santos. Cristo, o Sumo Sacerdote Eterno, casto, verdadeiro e misericordioso, quer também no nosso tempo tão sombrio e confuso andar de novo pelas nossas ruas nos Seus sacerdotes, ensinando os que erram e duvidam na verdade, consolando os que sofrem, concedendo o perdão dos pecados aos pecadores arrependidos e, sobretudo, oferecendo o Santo Sacrifício da Missa. Por isso, os sacerdotes, Seus instrumentos humanos, devem também ser castos, dispostos ao sacrifício, humildes e dar sempre testemunho da verdade, até ao martírio.
A recordação da verdade sobre a vocação de todos os cristãos à santidade, e antes de tudo dos sacerdotes, do significado central da Santa Eucaristia na vida da Igreja, mediante uma fé cada vez mais profunda na verdade e na Majestade divina, do Santo Sacrifício da Missa celebrado com dignidade e solenidade, com a recepção frutuosa e reverente da Sagrada Comunhão, com um coração puro, crente e humilde: nisto deveria ter consistido, na verdade, o sentido e o objectivo do Concílio Vaticano II, segundo a intenção da maioria dos padres conciliares.
Só a verdadeira renovação a partir do mistério da Eucaristia, segundo o sentido permanente da Igreja e de todos os santos, fará nascer na Igreja dos nossos dias santos: santos meninos, santos jovens, santas famílias, santas esposas consagradas de Cristo, santos religiosos e, sobretudo, santos sacerdotes. Só então será concedida à Igreja uma verdadeira primavera espiritual. Esperamos firmemente nesta primavera, e ela já existe também nos nossos dias, começando primeiro nas almas que amam intimamente a Cristo como esposa e que fizeram do Cristo Eucarístico o centro da sua vida.
Este livrinho «Vinde às bodas!» será, sem dúvida, uma ajuda espiritual concreta para a tão desejada verdadeira renovação eucarística da Igreja e dará a muitas almas luz, consolo e estímulo para o amor a Deus e ao próximo e para a santidade.
Que Deus abençoe a difusão deste pequeno e precioso livrinho com muitos frutos espirituais!
Unidos à querida Mãe de Deus, Maria, o primeiro tabernáculo do Salvador feito homem, possamos repetir com frequência as seguintes palavras de um antigo e conhecido cântico de comunhão, que aumentem em nós a fé e o amor sobrenatural ao nosso Senhor Eucarístico:
Jesus, Jesus, vinde a mim, ó, como anseio por Vós!
Amigo da minha alma, quando estarei unido a Vós!
Mil vezes Vos desejo, viver sem Vós é tormento.
Mil vezes suspiro por Vós: Ó Senhor Jesus, vinde a mim!
Nenhum prazer há no mundo que satisfaça o meu coração.
Só o Vosso amor, Senhor, pode alegrar todo o meu coração!
Na verdade, Senhor, não sou puro para que entreis em mim;
mas uma palavra da Vossa boca e a alma será curada.
Ardentemente anseio por Vós, Jesus, Jesus, vinde a mim!
Tomai para Vós todo o meu coração e possuí-o para sempre. Ámen.
Deus conceda a Sua abundante bênção aos autores, difusores e leitores deste livrinho!
29 de Junho de 2019, na Solenidade dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo
+ Athanasius Schneider, Bispo auxiliar da Arquidiocese de Santa Maria em Astana (Nur-Sultan)
A Adoração do Cordeiro (Retábulo de Gand, Jan van Eyck)
O Mistério da tríplice Santa Igreja
A tríplice Santa Igreja compõe-se da Igreja militante, da Igreja padecente e da Igreja triunfante. Os cristãos na terra são a Igreja militante, as almas do Purgatório são a padecente e os bem-aventurados do Céu são a triunfante. As três, pela sua íntima união com Cristo, formam o Reino de Deus. No Credo chamamos a esta comunhão «comunhão dos santos», porque todos devem estar unidos a Cristo, o seu Esposo, pela graça santificante.1
A comunhão dos santos na terra faz-nos participar de todos os tesouros de graça da Igreja. A união com os santos no Céu dá-nos a participação nos seus méritos e a ajuda da sua intercessão junto de Deus. A comunhão com o Purgatório é uma grande ajuda para nós e para as almas do Purgatório, que sofrem tão dolorosamente. Através de Santas Missas, indulgências, orações e boas obras que oferecemos por elas, podemos abreviar os seus sofrimentos, e elas, por sua vez, mostram-nos a sua grande gratidão, pois imploram insistentemente ao Céu por todas as nossas intenções.2
1 Que Cristo é o Esposo da Igreja foi prenunciado pelos profetas, e João Baptista proclamou-o. O próprio Senhor Se designou como «o esposo». (Mc 2,19) Ao mesmo tempo, Ele é também, como sublinha o apóstolo Paulo, «a cabeça do corpo, da Igreja», «a Igreja que Ele amou e pela qual Se entregou». (Cl 1,18; Ef 5,25) Igualmente, o apóstolo apresenta a Igreja e cada fiel que é membro do Corpo de Cristo como uma esposa que ele «desposou» com Cristo, o Senhor, para que seja um só espírito com Ele. (cf. 1 Cor 6,15-17; 2 Cor 11,2) (cf. KKK 796)
2 As almas do Purgatório pertencem aos mais profundos conhecedores da miséria terrena e da existência humana. Como vivem numa experiência de Deus que ainda nos é inacessível, estão cheias de uma força de amor para connosco e são, em especial, os amigos mais fiéis dos homens que, pela oração e pelo sacrifício, lhes encurtam o caminho para a visão de Deus. (São João Fisher)
Alegremo-nos, exultemos e dêmos-Lhe glória,
porque chegaram as núpcias do Cordeiro, e a Sua esposa está preparada:
foi-lhe concedido que se vestisse com linho fino, resplandecente e puro.
O linho fino são as acções justas dos santos.
Disse-me o anjo: «Escreve: felizes os convidados para o banquete das núpcias do Cordeiro!»3 Ap 19,7-9
3 Não podemos alcançar a nossa salvação de outra maneira senão no corpo místico da Igreja, cuja cabeça é Cristo e cujos membros somos nós. […] Não há outro caminho nem outra porta para nós. (Santa Catarina de Sena)
Maria, Mãe da Igreja⁴
Anseio nupcial
Toda a Sagrada Escritura está penetrada pelo pulsar do amor saudoso de Deus, que incessantemente bate às portas, por vezes tão endurecidas e fechadas, dos corações dos filhos dos homens, para os atrair a Si cheio de misericórdia. Este amor nupcial revela-se de modo especialmente impressionante na imagem das núpcias, que Deus já preparava no Antigo Testamento e que foi celebrada solenemente num admirável intercâmbio de amor por Jesus Cristo, que veio a este mundo como Messias e Esposo.
Então farei de ti Minha esposa para sempre; farei de ti Minha esposa na justiça e no direito, na fidelidade e na ternura; farei de ti Minha esposa na lealdade, e então conhecerás o Senhor. Os 2,21-22
As núpcias são o mistério mais profundo de toda a criação visível e invisível, e por isso também o mistério mais profundo da Igreja, que caminha ao encontro do seu Esposo através da peregrinação deste tempo, com ânsia nupcial.
Profundamente comovidos pelas graves tribulações que ameaçam e ferem profundamente a nossa Mãe, a Igreja, por dentro e por fora, queremos com este pequeno livrinho lançar faíscas de saudade das núpcias celestes em muitos corações humanos, para que o seu amor a Cristo, no mistério do Seu Corpo místico, seja de novo inflamado, e para que vão ao encontro do Esposo e da Esposa com lâmpadas acesas. (cf. Mt 25,1-13)
Uma multidão inumerável de santos já chegou à perfeição neste caminho para as núpcias celestes e intercede agora por nós junto do trono de Deus, para que também nós possamos um dia entrar neste grande salão da alegria eterna do Céu.
Quando olhamos para a vida dos santos, somos envolvidos numa atmosfera da graça divina, que irradia literalmente dessas almas enamoradas de Deus. Deixaram-se transformar totalmente pelo mistério nupcial do amor de Deus e estão imersas numa felicidade tal, de que o mundo, voltado para a terra, nem sequer suspeita.
Nos capítulos seguintes, algumas destas colunas de fogo luminosas da Igreja levam-nos consigo no caminho para Deus, por cuja glória e pela salvação das almas se consumiram por completo.
Vem! Vou mostrar-te a noiva! Ap 21,9
Maria, Mãe da Igreja, Vossos somos para o tempo e para a eternidade.
Por Vós e convosco queremos, agora e para sempre, pertencer inteiramente a Jesus. Ámen.
4 Maria como Mãe e Padroeira da Igreja e da Santíssima Eucaristia, bem como Rainha dos Anjos. Rodeada pelos sete Arcanjos, Maria está na nave da Igreja, unida a todos os fiéis na luta pela salvação das almas contra o inimigo maligno. Os santos anjos e os santos do Céu formam, juntamente com os fiéis da Igreja, o Reino de Maria, em preparação para a vitória final de Cristo sobre a terra. (Pintura a óleo de Roswitha Bitterlich)
São Francisco ora diante da cruz de São Damião.
São Francisco e a Esposa ferida
Quando São Francisco de Assis (1181/82 – 1226), um dia, guiado pelo Espírito, entrou na pequena igreja de São Damião para rezar, foi atingido por insólitas visitações do Espírito, e logo lhe falou a imagem do Cristo crucificado, movendo-se os lábios da imagem. Chamou-o pelo nome e disse: Francisco, vai e restaura a Minha casa, que, como vês, está toda em ruínas! […] Desde aquela hora, em que o Amado lhe falara, a compaixão pelo Crucificado trespassou a sua santa alma. […] Por isso não conseguiu, desde aquela hora, conter o choro. […] Com os seus soluços enchia os caminhos, e não deixava surgir nenhuma consolação, quando pensava nos martírios de Cristo. (2 C 10-11)
A missão que Francisco recebeu da cruz: Vê, a Minha casa está a cair, vai, reconstrói-a!, é uma palavra de revelação divina, na qual está contido todo o mistério de São Francisco. Este mistério ele recebe em São Damião ainda fechado, como o botão de uma flor preciosa. Na pequena igreja da Porciúncula a flor abrir-se-á para ele.
A pequena igreja da Porciúncula em Assis
São Francisco e a pobreza
Na pequena igreja da Porciúncula5 foi lido, em 1209, o Evangelho em que o Senhor enviou os Seus discípulos a pregar na mais completa pobreza. (cf. Mt 10,5-16) Então São Francisco exultou logo no Espírito de Deus e disse: Isto é o que quero, isto é o que procuro, isto é o que desejo fazer do fundo do coração. (1 C 22)
A missão que em São Damião foi gravada até ao fundo da sua vida revela-se-lhe aqui, na Porciúncula, em luz claríssima: ele não deve apenas construir casas de pedra; deve reconduzir a Igreja viva de Jesus à pureza e à força em que os apóstolos a fundaram. Por isso deve ele mesmo viver como os apóstolos. Aquilo que sempre procurou do fundo do coração toma agora a figura da esposa prometida. Encontrou-a, mais nobre, mais rica e mais formosa do que alguma vez vistes. (3 Gef 7) Jesus confia-lhe o que tem de maior e mais santo: a Igreja, a Sua Esposa. Casa, cidade, Jerusalém, Sião, Igreja: são todos nomes da Esposa. (cf. Ap 21,2) Francisco deve amá-la como Cristo a amou: nos seus pecados e nas suas feridas. Vê, ela está a cair. Esta palavra toca toda a alma de São Francisco. Cristo vive nele a Sua vida de Esposo e leva-o totalmente consigo para a cruz. Jesus fere-o com a ferida do Seu próprio amor; ele deve «ver» com que lepra está atingida a Esposa, toda a criação perdida, que feridas ela abre no Corpo de Cristo, e com que amor o seu Esposo desce à sua pobreza para beijar a sua lepra e a reconduzir à sua nobreza.
Aqui descobre a pobreza como mistério do noivado. Ele só pode reconduzir a Igreja aos braços do Crucificado se for tão pobre como o próprio Esposo. E assim está aqui, na pequena igreja da Porciúncula, a origem da pobreza franciscana. Francisco desposa-se com a Senhora Pobreza.
5 O nome «Porciúncula» significa «a pequena parte», «a pequena porção». A lenda conta que um peregrino trouxe terra da Terra Santa e espalhou-a numa clareira da floresta diante de Assis, até onde a terra chegou. Essa clareira consagrou-a a Maria e nela construiu uma capela. Espalhou-se entre o povo que os anjos ali cantavam o louvor de Maria, e que isso fora ouvido muitas vezes. Este lugar o santo amou mais do que todos os outros, e ordenou aos irmãos que o guardassem com especial reverência. […] O bem-aventurado pai contava que lhe fora revelado por Deus que a bem-aventurada Virgem ama esta igreja com um amor especial, entre as outras igrejas erguidas em sua honra no mundo; por isso também o santo a amava mais do que todas as outras. (2 C 18-19)
E o Senhor deu-me nas igrejas uma tal fé que, em simplicidade, assim orava e dizia: «Adoramo-Vos, Santíssimo Senhor Jesus Cristo, aqui e em todas as Vossas igrejas que há em todo o mundo, e louvamo-Vos, porque pela Vossa santa Cruz remistes o mundo.» (São Francisco)
Ó maravilhosa grandeza e admirável condescendência! Ó sublime humildade! Ó humilde grandeza, que o Senhor de tudo, Deus e Filho de Deus, Se abaixe de tal modo que, para a nossa salvação, Se oculte sob a forma humilde do pão. Por isso peço-vos a todos, com todo o amor de que sou capaz, que presteis toda a reverência e toda a honra, tanto quanto possível, ao santíssimo Corpo e Sangue do nosso Senhor Jesus Cristo. (São Francisco)
São Francisco recebe de Cristo e Maria a indulgência da Porciúncula (Cornelis Schut)
São Francisco e a castidade
O mistério nupcial da Porciúncula revela-se ainda mais profundamente na indulgência da Porciúncula.
Numa noite de inverno, São Francisco foi assaltado por tentações violentíssimas contra a castidade. A tentação era tão forte que Francisco saiu para a noite fria, despiu-se e atirou-se aos espinhos de uma roseira. Assim tornou-se senhor da tentação. Por esta vitória da fidelidade apareceram-lhe dois anjos, que o convidaram a ir com eles à capela da Porciúncula, através de cuja janelinha brilhava uma luz clara. Ao entrar, viu sobre o altar Cristo e Maria, rodeados pelos coros dos anjos. Lançou-se de joelhos, e Jesus ofereceu-lhe que formulasse um desejo e o confiasse a Maria. Pediu que todo aquele que entrasse com fé na pequena igreja da Porciúncula recebesse a remissão de todos os pecados e das penas dos pecados. E Maria acolheu o pedido e apresentou-o a Jesus no seu coração nupcial. Jesus concedeu-lho, com a indicação a Francisco de que fizesse confirmar esta indulgência pelo Seu Vigário na terra, o Papa. O Papa Honório, que então se encontrava em Perúgia, concedeu a indulgência.
Mas qual é o fundo espiritual daquela violenta tentação e da vitória nos espinhos da roseira, que, depois deste combate pela pureza, perdeu todos os espinhos e ficou, em pleno inverno, cheia de flores?
São Francisco deve reconduzir a Igreja do pecado à flor nupcial; gloriosa, «sem mancha nem ruga, nem coisa alguma semelhante, mas santa e imaculada» (Ef 5,27), deve ela ser. Como pode cumprir esta missão, se ele mesmo não se conservar puro nas tentações mais violentas, e se, mesmo com a menor sombra de desejo, ferir a Esposa que lhe foi confiada?
Deus revelou no Paraíso a inimizade primordial entre a serpente e a mulher que dá à luz. (cf. Gn 3,15) Nesta inimizade primordial, o demónio, o odiador e destruidor da união de Deus com a criação, enfurece-se contra Francisco, o padrinho escolhido entre todos os outros. São batalhas da história universal que ele trava e vence com o demónio na sua carne. Ele é o matador do dragão, que sabe de que perigo deve libertar a Virgem. (cf. Ap 12,1ss.) Sempre de novo soa nos seus escritos como um grito do seu coração: E queiramos odiar o nosso corpo com os seus vícios e pecados; porque através de uma vida carnal ele quer roubar-nos o amor de nosso Senhor Jesus Cristo e a vida eterna, e precipitar a si mesmo e a todos os seus no inferno. (Erm 22)
São as lágrimas de Jesus sobre Jerusalém que se tornam sangrentas nos olhos feridos de São Francisco: Se ao menos neste dia também tu reconhecesses o que te pode trazer a paz! (Lc 19,42) Aqui, na pequena igreja da Porciúncula, as pessoas devem reconhecer e converter-se! Quando Francisco conduz inumeráveis pessoas, ao longo de todos os séculos, à vida cristã, isso é fruto da sua penitência e das suas lágrimas.6 Deus, por meio de Francisco, num ponto alto da história, desvendou a palavra da revelação sobre as núpcias. Ele é o arauto que, do trono nupcial da cruz, o Sumo Sacerdote envia para convidar tudo às núpcias reais, para que toda a criação seja reconduzida a casa e desposada no Sangue de Cristo. (cf. Ef 1,10; Cl 1,16-20) Esta celebração nupcial da morte de Cristo a Igreja celebra em cada Santa Missa. Tomai e comei: isto é o Meu Corpo, isto é o Meu Sangue.
Ao morrer inclinou a cabeça para Maria e João, a Igreja nupcial, e entregou-lhe o Seu espírito. Ao mesmo tempo, do Seu coração saíram sangue e água. Assim deu à Igreja, Sua amada Esposa, a Sua vida e todos os Seus méritos redentores, para que, pelo Baptismo e pela Eucaristia, se tornasse a mãe de todos os viventes.
6 Quanto mais, porém, a perfeita continência é tida por impossível por tantos homens no mundo de hoje, tanto mais humildemente e persistentemente peçam os presbíteros em união com a Igreja a graça da fidelidade, que nunca é negada aos que a suplicam, empregando ao mesmo tempo os auxílios sobrenaturais e naturais, que estão à mão de todos. (Do Concílio Vaticano II, Priest. 16)
Francisco compreendeu como, da ferida do coração de Jesus, surgiu a Jerusalém celeste, a Igreja com os seus sacramentos e ordens sacerdotais, como Eva surgiu do lado de Adão. Viu como cada flor, cada pedra, cada verme, cada nuvem no céu, cada estrela, tudo é o adorno nupcial formado do sangue de Jesus. Cada florinha está tecida do amor do divino Esposo pela Sua Esposa, que Ele quer cumular de dons.
Nesta entrega corporal de Jesus à Sua Esposa assenta o matrimónio cristão. (cf. Ef 5,22-32) Por isso é um sacramento. Na celebração do casamento, os esposos são consagrados sacerdotalmente pelo Espírito Santo no seu ser de homem e de mulher, de modo que o seu amor conjugal recebe a força santificadora do amor de Cristo.
Papa João Paulo II falou nas suas audiências públicas com frequência do mistério nupcial do corpo. Transmitimos por meio do corpo a nós mesmos, quer no pecado, quer na santidade. Por isso, toda a união sexual que não acontece na santidade do sacramento é fornicação: Duas pessoas completam-se mutuamente no seu ser de homem e de mulher com o seu pecado e profanam o templo de Deus; profanam as núpcias celestes que começaram no Baptismo. (cf. 1 Cor 6,15-20)
O nosso corpo deve tornar-se uma oferta santa e agradável a Deus (cf. Rm 12,1), para que também nós possamos dizer a Cristo com amor: «Este é o meu corpo por Vós!»
O Papa Inocêncio III vê em sonho um religioso que sustenta a Igreja.
São Francisco e a obediência
De onde tira São Francisco a sua profunda veneração e a sua total obediência à Igreja, e precisamente à Igreja romana? Consciente da tensão entre o poder sacerdotal e a santidade pessoal, escreve no seu Testamento: Depois disto, o Senhor deu-me uma fé tão grande nos sacerdotes que vivem segundo a forma da santa Igreja romana, por causa da sua ordenação, que, se me quisessem perseguir, quero recorrer a eles. […] E não quero considerar neles o pecado, porque distingo neles o Filho de Deus e são os meus senhores. E faço-o assim porque, corporalmente, deste mundo nada vejo do Filho de Deus Altíssimo senão o Seu santíssimo Corpo e o Seu santíssimo Sangue, que eles mesmos recebem e só eles administram aos outros. (Test. 6)
Como a renovação da Igreja depende em grande medida da santificação dos sacerdotes e dos consagrados,7 Jesus convida-nos repetidamente a rezar e a oferecer por esta intenção. A Maria Sieler, uma mística do nosso tempo, que levou uma vida de expiação pela renovação do sacerdócio, Jesus disse: Quero fazer os sacerdotes participar de Mim, quero fazer deles um segundo Redentor e Salvador, para atrair de novo a Mim a humanidade sofredora e oprimida. Quero ser a sua vida, tornar-Me inteiramente um com eles, comunicar-Me a eles. O Meu Coração deve tornar-se o coração deles. (19.8.1937)8
7 A santidade dos presbíteros muito concorre para o desempenho frutuoso do seu ministério; ainda que a graça de Deus possa realizar a obra da salvação por ministros indignos, todavia, por lei ordinária, prefere Deus manifestar as Suas maravilhas por meio daqueles que, dóceis ao impulso e direcção do Espírito Santo, pela sua íntima união com Cristo e santidade de vida, podem dizer com o Apóstolo: «Se vivo, já não sou eu, é Cristo que vive em mim.» (Gl 2,20) (Do Concílio Vaticano II, Priest. 12)
8 Josef Fiedler S.J., Erneuerung der Kirche – Maria Sieler, Imprimatur: Vindobonae, die 18.04.1988, Praep. Prov. Austria P. Josef Czerwinski S.J.
Um bom pastor, um pastor segundo o coração de Deus, é o maior tesouro que o bom Deus pode conceder a uma paróquia e um dos dons mais preciosos da misericórdia divina. São João Maria Vianney, Cura d'Ars
Em todos os sacerdotes e bispos, e em síntese no Papa, São Francisco vê a presença sacerdotal e a autoridade do Esposo. Nisto reside o mistério da Igreja hierárquica no seu ofício de ensinar, de pastorear e de santificar pelo sacerdócio.
Jesus confiou à Igreja todo o Seu tesouro de graças. Isto aconteceu de modo simbólico quando o corpo de Jesus foi retirado da cruz e colocado no seio de Maria; ali ela recebeu no seu seio todas as graças que Cristo mereceu na cruz.
No Pentecostes este tesouro de graças foi depositado no seio da Igreja, e assim a Igreja se uniu com Maria. A chave deste tesouro Cristo deu-a a Pedro. Ele pode também abrir e fechar validamente no Céu, ligar e desligar, o que se realiza sobretudo pela administração dos santos sacramentos. Também pela indulgência a Mãe Igreja cumula os seus filhos de graças em superabundância e, com o poder de Jesus, perdoa-lhes o que ainda deveriam expiar. Pois, como Jesus quis depender totalmente de Maria na Sua Encarnação, quer agora depender totalmente da Igreja na Sua obra de graça.
Pai santo, guarda-os no Teu nome, que Me deste, para que sejam um só, tal como Nós. Jo 17,11
Santa Clara de Assis com o lírio (afresco, Giotto)
Santa Clara, a Esposa (1193 – 1253)
Santa Clara de Assis, nascida de família nobre, fundou com São Francisco, por quem foi pessoalmente revestida do hábito em São Damião, a Ordem das Clarissas. Clara será durante quarenta anos a mulher sob aquela cruz que falou a Francisco em São Damião.
… nesta clausura estreita, durante quarenta e dois anos, quebrou com os flagelos da disciplina o vaso de alabastro do seu corpo, de modo que a casa da Igreja se encheu do perfume dos unguentos. (LebKl 10)
Assim Clara se torna a interpretação viva da missão que Francisco recebeu de Cristo em São Damião, de reconstruir a Sua casa. Em Clara torna-se visível a Igreja que Francisco deve conduzir, como esposa santa e pura, a Cristo para as núpcias. Por isso o amor de São Francisco por Clara é o amor de Cristo à Sua Igreja.9
9 Cf. Eugen Mederlet OFM, Die Hochzeit des Lammes, 1983, p. 96-133, Imprimatur: P. Karl Feusi OFM, Provincial. As fontes franciscanas provêm de Franziskus-Quellen, 2009, e Klara-Quellen, 2013.
Oração pela santa Igreja
São Francisco, poderoso intercessor ao lado de Jesus crucificado na Sua maior misericórdia. Pedimos o vosso auxílio na nossa grande necessidade. A maravilhosa criação de Deus, o mundo, sim, toda a humanidade e a santa Igreja encontram-se na mais grave aflição.
São Francisco, firme coluna da Igreja católica, já uma vez sustentastes os muros vacilantes da Igreja; de novo ela é ameaçada por todos os lados. Alcançai-nos a unidade na fé, para que todos os que estão fora da Igreja de Jesus Cristo encontrem o seu refúgio nos braços de Jesus. Que reconheçam o caminho de regresso que os conduz à fidelidade ao Magistério, ancorado na rocha do Papado, e à participação nos méritos de Jesus crucificado, com a riqueza de todos os Seus tesouros de graça.
São Francisco, imagem da Paixão de Jesus, marcado com as Suas chagas, assisti os nossos bispos e sacerdotes, para que lutem como protectores e defensores da nossa fé, enfrentem o erro e cheguem à vossa semelhança. Ámen.
Jesus Cristo, o Sumo Sacerdote Eterno
Santa Brígida da Suécia (1302/03 – 1373)
À Santa Brígida, padroeira da Europa, que levou uma vida heroica de oferta pela renovação do clero e de toda a Igreja, revelou-lhe Jesus repetidamente a Sua grande dor pela vida desregrada de alguns dos Seus servos.
Uma vez disse Jesus a Brígida: Vê, Minha filha: quando Eu deixei o mundo, confiei aos Meus sacerdotes aquilo que Me era mais precioso, e deixei-lhes cinco dons. Primeiro, a Minha fé; segundo, as duas chaves do inferno e do Céu; terceiro, o poder de fazer de um inimigo de Deus um anjo; quarto, o poder de consagrar o Meu Corpo santíssimo, o que nenhum anjo pode fazer; quinto, o privilégio de poder tocar com as suas mãos o Meu Corpo santíssimo. Agora, porém, tratam-Me como aqueles que negaram que Eu tivesse ressuscitado Lázaro dos mortos. […] Assim fazem hoje os sacerdotes quando não dizem as Minhas palavras nem anunciam a Minha doutrina, mas ensinam o amor ao mundo, pregam a volúpia e não dão importância à culpa de pecado que carregaram sobre si.
Esta queixa do Sumo Sacerdote Eterno, transmitida aos sacerdotes por meio de uma santa, não deixou de surtir efeito no clero e no povo.
Quanto Ele ama os Seus sacerdotes e como os escolheu, mostram-no estas palavras dirigidas a Brígida: Escolhi os sacerdotes acima de todos os anjos e santos, e só a eles dei o poder de tornar presente e de tocar o Meu Corpo. […] Amei tanto os sacerdotes que só a eles quis conceder tal honra e fiz com que subissem a Mim por sete degraus. Devem ser pacientes como ovelhas, firmes como um muro de sólido alicerce, corajosos como guerreiros, prudentes como serpentes; pudicos como virgens, puros como os anjos, ardendo de amor como uma esposa que anseia pelo quarto do seu esposo.
Numa revelação que Brígida recebe da Mãe de Deus, o Papa é lembrado de vigiar a pureza do clero: O Papa deve ordenar a cada bispo que vigie a vida dos seus clérigos, de modo que a quem não quiser melhorar a sua vida nem permanecer na continência seja totalmente retirado o benefício, porque Deus prefere que num tal lugar não se celebre Missa a que o Corpo do Filho de Deus seja tocado por mãos de meretrizes.10
10 Gottes Nordlicht, de Ferdinand Holböck, 1983, p. 293-295, 298, Imprimatur: Ordinariado Arquiepiscopal de Salzburgo, + Jakob Mayr, Bispo auxiliar e Vigário-geral.
Santa Catarina de Sena (1347 – 1380)
Santa Catarina de Sena, Doutora da Igreja e padroeira da Europa, estava animada por um amor extraordinário à Igreja. Como a sua contemporânea, Santa Brígida da Suécia, também ela lutou incansavelmente, com as armas do espírito, pela reforma e unidade da Igreja. Quando um dia, numa visão, lhe foi colocado sobre os ombros o «navio místico da Igreja», ela sucumbiu sob o peso. Pouco antes da sua morte rezou:
Ó Deus eterno, aceitai o sacrifício da minha vida pelo corpo místico da santa Igreja. Não tenho nada a oferecer senão o que Vós me destes. Recebei, pois, o meu coração e espremei-o sobre o rosto desta Esposa.11
11 Santa Catarina ditou nos anos de 1377 e 1378, em intervalos diversos, um livro que habitualmente se intitula Diálogo da Divina Providência ou da Doutrina Divina, no qual a sua alma, em diálogo extático com o Senhor, relata o que a verdade eterna lhe diz em resposta às suas perguntas acerca do bem da Igreja, dos seus filhos e de todo o mundo. O livro caracteriza-se por espírito profético, equilíbrio do pensamento e clareza da expressão. Trata dos mais elevados mistérios da nossa religião e dos problemas mais difíceis da ascética e da mística. Vigilante e suplicante, dirige-se aos irmãos no mundo, que ela vê perderem-se pelos caminhos do pecado, e procura despertá-los da mortal indiferença: com uma intuição psicológica delicada lança feixes de luz sobre o caminho da perfeição, ao louvar a elevação do homem que, na imitação do Cristo obediente, encontra o caminho seguro para a Santíssima Trindade … (São João Paulo II, da Carta Apostólica Amantissima Providentia, 29.4.1980)
Santa Teresa do Menino Jesus (1873 – 1897)
A Santa Carmelita Teresa do Menino Jesus, padroeira das Missões e Doutora da Igreja, que se consumiu num amor apaixonado por Cristo e pela Sua Igreja, escreve na sua autobiografia:
Compreendi que a Igreja tinha um coração, e que esse coração estava a arder de amor. […] Então, num transporte de alegria delirante, exclamei: Ó Jesus, meu Amor, … encontrei finalmente a minha vocação: a minha vocação é o Amor! … Sim, encontrei o meu lugar na Igreja, e esse lugar, ó meu Deus, fostes Vós que mo destes. … No coração da Igreja, minha Mãe, eu serei o Amor, … assim serei tudo, … assim o meu sonho será realizado! … Sou apenas uma criança, fraca e impotente, mas é precisamente a minha fraqueza que me dá a ousadia de me oferecer ao Vosso amor, ó Jesus, como vítima! […] quero não deixar escapar nenhum pequeno sacrifício, nenhum olhar, nenhuma palavra, quero aproveitar as acções mais insignificantes e fazê-las por amor … Ó meu Jesus! Eu Vos amo, amo a Igreja, minha Mãe, e recordo que o menor movimento de puro amor lhe é mais útil do que todas as outras obras juntas.
Oração pelos sacerdotes
Ó Jesus, Sumo Sacerdote Eterno, guardai os Vossos sacerdotes sob a protecção do Vosso Santíssimo Coração, onde ninguém lhes possa fazer mal.
Conservai imaculadas as suas mãos ungidas, que tocam diariamente o Vosso santíssimo Corpo.
Conservai puros os lábios, que estão avermelhados pelo Vosso precioso Sangue.
Conservai puro e não terreno o seu coração, que está selado com o sinal sublime do Vosso glorioso sacerdócio.
Fazei-os crescer no amor e na fidelidade a Vós e protegei-os do contágio do mundo.
Dai-lhes, com o poder de transformar o pão e o vinho, também o poder de transformar os corações.
Abençoai os seus trabalhos com fruto abundante e concedei-lhes um dia a coroa da vida eterna. Ámen.12 Santa Teresa do Menino Jesus
12 Fundamento da sua oração e do seu oferecimento era, em Teresa, uma grande estima pelo sacerdócio. Embora notasse as fraquezas dos sacerdotes, não passava simplesmente à crítica. Pelo contrário, isso era para ela motivo para rezar e oferecer. E no exame que precedeu a sua profissão disse: «Vim para salvar as almas e sobretudo para rezar pelos sacerdotes.» (De Thérèse von Lisieux, Selbstbiographie, 1988)
A beata Dina Bélanger (1897 – 1929)
A missão da beata Dina, da Congregação das Irmãs de Jesus e Maria em Sillery (Canadá), consistiu sobretudo numa vida de expiação pela santificação dos sacerdotes e dos consagrados. Também a ela o Senhor revelou o Seu grande amor pelas almas consagradas, mas também a Sua profunda dor pela sua infidelidade.
Os Meus sacerdotes, os Meus sacerdotes, ai! Amo-os tanto! … E há entre eles tantos que Me amam tão pouco! … Se o Meu Coração, durante a agonia, derramou lágrimas de sangue por eles, não foi só porque se tivessem separado de Mim pela perda da graça santificante, mas também porque não levam suficientemente uma vida de íntima união Comigo. Chamo-os a tornarem-se um segundo Cristo. Ser um outro Eu de Mim: essa é a sua vocação. Muitos deles são a Minha consolação, a Minha glória e a Minha honra. Mas alguns, ai! Me entristecem … Queres, Minha pequena Esposa, dar-Me, por intermédio da Minha Mãe santíssima, o teu dia de hoje pelos Meus sacerdotes? Queres dar-Me assim todos os sábados? Isto é, amar-Me, rezar, renunciar a ti mesma, oferecer-te pelos Meus sacerdotes, por meio da Minha sublime Mãe? […]
Nas mãos dos Meus sacerdotes está toda a vida religiosa da sociedade. Se todos fossem verdadeiramente santos, só a sua visão, quer na igreja, quer na rua ou noutro lugar, levaria os pensamentos dos homens para Mim; atrairiam as almas a Mim; quem os encontrasse pensaria: lá vai um segundo Cristo! […]
Se soubesses quanto o Meu Coração se consola quando encontro uma alma que se Me entrega totalmente! Mas encontro tão poucas! Mesmo entre as almas consagradas são raras as que se Me entregam totalmente! – Os Meus apóstolos Pedro, Tiago e João, aos quais Me dei justamente na Sagrada Comunhão e que tornei sacerdotes, eram almas consagradas, e dormiram durante a Minha agonia! Quantas almas consagradas ainda dormem, enquanto a Minha Igreja é perseguida e sofre.
Dina alcança grandes intuições no mistério do Santíssimo Sacramento do Altar. Se compreendêssemos que tesouro possuímos na Eucaristia divina, as igrejas estariam cheias dia e noite de adoradores, que se consumiriam de amor pelo Prisioneiro divino do sacrário.
O Meu Coração transborda de graças para as almas. Conduze-as ao Meu Coração Eucarístico! Jesus à beata Dina
À Dina são reveladas pelo Senhor também mistérios profundos sobre as bem-aventuranças do Céu e o valor inefável da cruz.
Dina vê que o menor grau de bem-aventurança no Céu pesa infinitamente mais do que todas as alegrias imagináveis na terra. E cada menor acto de amor, de conformidade com a vontade divina, de obediência ou de renúncia, far-nos-á alcançar tal bem-aventurança. A Santíssima Trindade oferece-nos os abismos das Suas riquezas, mas quão pequeno é o número daqueles que os recebem, entregando-se totalmente à obra santa de Deus.
Nunca conseguiremos compreender a imensidão da bondade infinita para com cada alma humana. A vida mais longa aqui na terra dura, na realidade, apenas um breve instante. Como estamos loucos se não empregamos este instante, que é a nossa vida terrena, para a maior glória do Senhor supremo. Que surpresas haverá na última hora, quando o véu se rasgar diante da verdade! […]
Eu gostaria de tornar compreensível a todas as almas, sobretudo às almas escolhidas, o valor da cruz. A dor é uma imensa mina de ouro; é uma seta ardente que o amor dispara do coração do Infinito, para consumir o coração humano e mergulhá-lo na divindade. […]
Não, o coração deste Esposo digno de adoração, tão terno e bom, não é reconhecido! Jesus escolheu a cruz como um bem santo. Abraçou-a com paixão, amou-a até à loucura: e isto por nós! […] Quanto se alegra o Seu Coração quando uma alma ferida e crucificada beija com amor o flagelo, a lança e os preciosos cravos! […] Ó Espírito da verdade, pelos méritos de Jesus peço-Vos: concedei às almas a luz, ensinai-as a apreciar os verdadeiros bens e a reconhecer a bondade infinita nas horas de prova e de humilhação.13
Ó Jesus, Sumo Sacerdote Eterno, que por amor a nós remistes a humanidade pelo Vosso sofrimento e pela Vossa morte na cruz, aceitai benignamente, pelas benditas mãos da Vossa Mãe, o meu sofrimento. Com a Vossa cruz ofereço-Vos o meu, com amor. Fecundai o apostolado dos Vossos sacerdotes, para que o Vosso reino de luz, de amor e de paz chegue até nós. Ámen.14
13 Die Selige aus Kanada, de Engelbert Recktenwald, 1996.
14 Imprimatur: Frib. Helv., 15 de Setembro de 1960.
Irmã Consolata Betrone (1903 – 1946)
A missão que Jesus confiou à Serva de Deus Irmã Consolata, da Ordem das Clarissas Capuchinhas, consiste em cooperar, através do «pequeníssimo caminho do amor», para o qual ela convida as almas, na renovação religiosa do mundo e na salvação das almas. Este caminho espiritual pode resumir-se, segundo os ensinamentos de Jesus, em três pontos:
- Um acto de amor incessante: oração do coração, isto é, um acto interior.
- Um sim sorridente a todos: ver Jesus em todos e tratar a todos como Jesus.
- Um sim agradecido a tudo: a tudo o que Deus quer de nós.
A vida de Jesus na terra foi uma luta contínua pela salvação das almas. Desta ânsia combativa fala o Senhor à Irmã Consolata:
Amor e almas! Que há de mais belo? […] Jesus, Maria, amo-Vos, salvai as almas! Abrangei todas: as almas do Purgatório como as da Igreja militante, os inocentes como os culpados, os moribundos, os ímpios, todas as almas!
Jesus confiou à Irmã Consolata sobretudo aquelas pessoas consagradas que se tornaram infiéis à sua vocação. Assim lhe explicou:
Consolata, também tu tens na Igreja um rebanho que deves conduzir à vida eterna: os teus irmãos e irmãs. Pois bem, também tu serás um bom pastor, que, como Jesus, dá a vida pelas suas ovelhas.15
Maria, ó boa Mãe dos sacerdotes, tomai todos os sacerdotes sob a Vossa especial protecção e amparo e, com mão maternal e bondosa, conduzi também os pobres sacerdotes extraviados, que se tornaram infiéis à sua sublime vocação, de novo ao Bom Pastor. Ámen.16
Por estes seus irmãos e irmãs, Consolata fez tudo. Em todas as suas tarefas rezava incessantemente a sua oração do coração: Jesus, Maria, amo-Vos, salvai as almas!, e fazia de tudo um sacrifício por Deus. Por isso Jesus lhe deu a promessa:
Vê, são apenas coisas insignificantes, mas Eu alegro-Me muito com elas e atribuo-lhes um valor imenso, porque Mas ofereces com grande amor. Todas estas bagatelas Eu faço-as descer como graças de conversão sobre os nossos infelizes irmãos.
Com frequência foram confiados ao convento casos graves e concretos, pelos quais Consolata assumia em lugar deles os respectivos sofrimentos. Assim, suportou por vezes longos períodos de secura, abandono, falta de sentido, solidão, dúvida e estados pecaminosos de sacerdotes. Uma vez escreveu ao seu director espiritual nesta luta: Quanto custam, afinal, os irmãos! Mas Jesus deu-lhe a grandiosa promessa:
Consolata, irás à procura de cada irmão e de cada irmã e trazê-los-ás de volta a Mim, e Eu perdoar-lhes-ei por causa do Sangue que derramei por todos.17
Não deve haver no mundo nenhum irmão, por mais que tenha pecado quanto possa pecar, que tenha visto os teus olhos e depois tivesse de se afastar de ti sem a tua misericórdia; se ele procura misericórdia, e se não a procura, pergunta-lhe tu se quer misericórdia. E mesmo que ele depois peque mil vezes diante dos teus olhos, ama-o mais do que a mim, para que o conduzas ao Senhor. São Francisco
15 Judas, infelizmente, não ficou sozinho; foi apenas o primeiro de uma longa fila, que se prolonga até ao dia de hoje. Todos estes infelizes são a causa dos espinhos em torno do Coração divino de Jesus e das lágrimas mais amargas da Igreja, que tanto deseja que todos os fiéis cooperem, pela oração e pelo sacrifício, na santificação dos sacerdotes e dos consagrados. Muitos, é verdade, queixam-se destes escândalos e atiram pedras às ovelhas extraviadas, mas poucos ajudam a reconduzir estes infelizes ao Bom Pastor. Não esqueçamos que cada pequena jaculatória e cada pequeno sacrifício nesta intenção é uma pérola e um sinal do nosso amor e da nossa responsabilidade mútua.
16 Imprimatur: Regensburg, 1.2.1973.
17 Cf. Schwester Consolata Betrone, de P. Lorenzo Sales, 1961, Imprimatur: Friburgi Helv., 15 de Setembro de 1961.
A Santa Missa – o sol da nossa vida
De todos os tesouros do mundo nenhum é mais precioso do que o Santo Sacrifício da Missa; e de todas as desgraças do mundo nenhuma é maior do que o desconhecimento deste Santíssimo Sacrifício. Pois na celebração da Santa Missa estamos, como membros do Corpo místico, como que aos pés da cruz, e podemos, unidos a Cristo, nosso Eterno Sumo Sacerdote, oferecer ao Pai Celeste o sacrifício perfeito de louvor, de acção de graças, de expiação e de súplica. A Santa Missa é, portanto, fonte e cume de toda a vida cristã, o culto mais elevado, a misteriosa actualização incruenta do sacrifício da cruz de Jesus Cristo.
Peço também no Senhor a todos os meus irmãos sacerdotes, que são sacerdotes do Altíssimo […]: quando quiserem celebrar a Missa, que eles mesmos, puros e com pura intenção, com reverência e com santa e pura intenção, ofereçam o verdadeiro sacrifício do santíssimo Corpo e Sangue de nosso Senhor Jesus Cristo. São Francisco
Na obediente entrega de Jesus é dada ao Pai toda a glória e honra. Ao mesmo tempo, o amor de Cristo abre a cada homem um caminho que conduz ao coração do Pai. Assim, neste mistério, resplandece o atributo mais profundo de Deus, a Sua insondável misericórdia. Todo o nosso ser, a nossa fraqueza humana, as nossas preocupações e necessidades, bem como a culpa de todos os homens, colocamo-los no acontecimento da transubstanciação da Santa Missa. Pois no Corpo oferecido e no Sangue derramado de Cristo encontramos cura e expiação para os nossos pecados e para os pecados do mundo inteiro.
Da Santa Missa pode dizer-se o que a Sagrada Escritura diz da Sabedoria: É um tesouro inesgotável para os homens; quem dele se serve torna-se amigo de Deus. (Sb 7,14)
Nenhuma hora do dia é mais preciosa do que a hora em que assistimos à Santa Missa. Esta hora é, na verdade, uma hora dourada. Os sacrifícios que assumimos ao participar na Santa Missa transformam-se em ouro. Pois, como o sol supera todos os planetas, assim a participação devota na Santa Missa supera todas as outras obras de piedade.
Nada há que se compare em grandeza com a Eucaristia! Colocai todas as boas obras do mundo diante de uma boa comunhão – é como um grão de pó diante de uma montanha. São João Maria Vianney, Cura d'Ars
No momento em que se celebra a Santa Missa, os anjos do Céu correm à prisão do Purgatório e abrem-na. São João Crisóstomo
Quando um dia perguntaram ao santo Padre Pio o que devemos fazer durante a Santa Missa, o santo respondeu: Compadecer-se e amar. Costumava também dizer: O mundo poderia existir sem sol antes do que sem a Santa Missa.
Ó Jesus, pela Vossa morte e pelo Vosso santo Sangue, convertei os pecadores, salvai os moribundos, libertai as almas do Purgatório, santificai os sacerdotes, os religiosos e as famílias.
Em cada celebração da Santa Missa ressoa o apelo do Pai Celeste: Tudo está preparado, vinde às bodas! O Meu Filho amado renova pelas mãos do sacerdote o sacrifício do Calvário e alimenta-vos, na Santíssima Eucaristia, com a Sua própria carne e o Seu próprio sangue! E, contudo, quão poucos seguem o Seu convite – Mas os convidados não fizeram caso … Assim se diz na parábola do banquete régio, que consideraremos no capítulo seguinte de forma concreta e próxima da vida.
Vinde às bodas!
Cristo é o Filho único de Deus. Na Sua Encarnação vem para chamar à boda a Sua Esposa, a santa Igreja, e para convidar os homens a celebrar. A parábola nomeia quatro grupos de convidados:
O primeiro grupo são os desinteressados. Também os há no convite de Deus. O convite chega-lhes várias vezes, com ênfase e insistência. Mas a religião nada lhes diz. São realistas, para quem só o terreno e o material são realidade. O cristianismo não lhes interessa. […] Não tem nada a ver com especulação na bolsa, com progresso profissional e posição social. O convite fica por tratar em cima da secretária ou vai parar ao cesto dos papéis. Na realidade, porém, perante Deus não há indiferença, pois Deus não a aceita. Quem não se ocupa de Cristo não entra no Reino de Deus; é, portanto, alguém que fica do lado de fora, e assim permanece. A sentença final do Senhor será: Não vos conheço!
O segundo grupo são as pessoas da oposição. Na parábola, matam simplesmente os portadores do convite. Não se põem do lado do soberano que governa nem do herdeiro do trono. […] Estão claramente no outro campo. Na questão do Reino de Deus, são os ateus combativos, os que odeiam o cristianismo. Para eles a religião não é coisa indiferente, mas ópio do povo, um obstáculo à ascensão da humanidade, um inimigo da verdadeira humanidade, uma sobrevivência impeditiva da Idade Média supersticiosa, que agora deve ser definitivamente eliminada. Assim travam a luta em palavras e escritos, unem-se para a acção comum e organizam a resistência. Na parábola, a resposta do rei não se faz esperar. As suas tropas cercam a sede da resistência inimiga, arrasam-na e matam o inimigo. É uma imagem do grande ajuste de contas de Cristo no fim dos tempos.
O terceiro grupo são os irreverentes. A parábola apresenta uma figura isolada como seu representante. O homem que foi convidado da rua para a boda e a quem se ofereceu na entrada uma veste festiva está convencido de que os seus trapos são bons o suficiente. Que o tomem como está. O convite nada lhe diz de especial. Transposto para o plano espiritual, são as pessoas que não querem saber do que se trata quando se fala de Deus. Falta-lhes o temor de Deus. […] A vida religiosa é algo a que se dá expressão de tempos a tempos, mais por constrangimento do que por vontade. Vai-se de manhã à Missa dominical, como se vai ao restaurante para o almoço ou à noite a um concerto, e nos dias úteis ao escritório. Deus deve dar-se por feliz quando eles atendem ao convite para o culto. São as pessoas que nunca compreenderam verdadeiramente, no seu interior, o que significa um chamamento de Deus. A diferença entre Criador e criatura, eternidade e tempo, infinito e finito, Senhor e servo nunca se tornou para elas verdadeiramente viva. […] Por isso também não se esforçam de modo algum por uma atitude interior correspondente. Não veem que um cristão vive de outra maneira do que um não cristão. Como Deus é para elas algo secundário, também não se preocupam se vivem na graça do Senhor ou no pecado. […] O efeito é mostrado de modo drástico na parábola. É a expulsão do salão de festa iluminado para as trevas, da eleição para a reprovação. A pertença exterior à Igreja de Cristo não basta. Se não se realiza a transformação interior, tudo termina na expulsão.
O valor de uma única graça é maior do que o valor de todo o universo. São Tomás de Aquino
O quarto grupo são os verdadeiros convidados para a boda. Têm, na verdade, uma origem curiosa: andarilhos, vagabundos, gente simples e mendigos das sebes e das cercas. O convite foi a grande surpresa da sua vida. Aceitaram com alegria. Com arrepios de reverência entraram no palácio, e com alegria infantil vestiram a veste festiva que lhes foi oferecida. E agora estão na festa de núpcias como no Céu. Só temem uma coisa: ter de voltar a sair para a sujidade e a miséria, para o frio e a escuridão lá fora. São as pessoas de olhos radiantes e corações agradecidos, as pessoas que sabem o que é a graça e a vocação. É o homem do pecado, chamado para o mundo da graça. É o homem religioso, que sabe que sem Deus tudo nada vale, que sabe apreciar a vocação como graça livremente dada, e que traz no fundo de si a dolorosa experiência da própria fraqueza e pecaminosidade. Mas tudo se perde no brilho da alegria festiva, pois ele sabe que o cristianismo católico é uma festa de núpcias, que começou com a Encarnação de Deus e que, na segunda vinda do Senhor, atingirá a sua plena altura festiva, com uma luz que já não se apaga e uma alegria que já não se extingue.
Assim, o cristianismo exige uma decisão, a favor ou contra, sim ou não. […] Trata-se do último e do mais profundo: do ser eterno ou do não ser.18
Pai Celeste, ofereço-Vos, por Maria, os infinitos méritos de Jesus, em reparação de todas as graças por mim desperdiçadas. Ámen.
18 Richard Gutzwiller, Die Gleichnisse des Herrn, 2017, Imprimatur do Ordinariado Episcopal de Chur, 2 de Março de 1960.
As lágrimas da Mãe
Chorando, escondendo o rosto nas mãos, apareceu a Mãe de Deus, a 19 de Setembro de 1846, a duas crianças pastoras em La Salette.
Estou aqui para vos comunicar uma mensagem importante … Se o meu povo não se quiser submeter, sou obrigada a deixar cair o braço do meu Filho. Ele é tão pesado e tão opressivo que já não o posso conter. Há tanto tempo que sofro por vós, e vós nem por isso vos importais! … Seis dias vos concedi para trabalhar. O sétimo dia reservei-o para mim, mas não mo querem conceder.19 Isto é o que torna tão pesado o braço do meu Filho … Se a colheita se estraga, é só por vossa causa … Se se converterem, as pedras e os rochedos transformar-se-ão em montes de trigo, e os campos ficarão cobertos de batatas …
Ah, crianças, deveis rezar bem, mesmo que seja apenas um «Pai Nosso» e uma «Ave Maria» de manhã e à noite, se não tiverdes mais tempo. Mas se tiverdes mais tempo, rezai então mais! No verão só algumas mulheres idosas vão à Santa Missa. As outras trabalham aos domingos durante todo o verão. E no inverno, quando não sabem o que fazer, vão à Santa Missa só para troçar da religião …
Durante todo o tempo da aparição, correm lágrimas dos olhos da Mãe de Deus.20
Nossa Senhora de La Salette, Reconciliadora dos pecadores, rogai sem cessar por nós que recorremos a Vós!
19 Pela vontade de Deus, todas as graças merecidas por Cristo nos são concedidas por meio de Maria. Assim também os dias que Deus nos concede passam pelas mãos de Maria. (cf. Leão XIII., Encíclica, Octobri Mensae) Por isso pôde Maria dizer em La Salette: «Seis dias vos concedi para trabalhar.»
20 A 19 de Setembro de 1851, a mensagem de La Salette foi reconhecida pela Igreja por Philibert de Bruillard, bispo de Grenoble. Como se distingue a estratégia divina de salvação dos actuais programas de renovação! Pela Mãe de Deus, o Senhor não exige um afrouxamento da doutrina moral da Igreja, mas penitência e conversão; não uma redução da veneração mariana em nome do ecumenismo, mas a veneração do seu Imaculado Coração. Diante de um Padre Pio, o Senhor não exige a abolição do celibato nem experiências litúrgicas para dar vida ao culto, mas queixa-Se da indiferença e da falta de reverência que Lhe são dirigidas no Santíssimo Sacramento do Altar. Diante da beata Dina Bélanger, o Senhor não exige dos Seus sacerdotes maior abertura ao mundo, mas uma vida de união mais íntima com Ele, e das ordens e comunidades não um afrouxamento da disciplina, mas maior fidelidade à Santa Regra. Nas mensagens à santa Irmã Maria Faustina, o Senhor não propõe uma diminuição da consciência do pecado, mas convida a recorrer com frequência à Sua misericórdia no santo Sacramento da Penitência. O que hoje é louvado como progresso é, na realidade, demolição da doutrina da fé e dos costumes. E esta demolição trespassa o Coração de Jesus e de Maria. (cf. Engelbert Recktenwald, Harter Geist und weiches Herz, Imprimatur: P. Josef Bisig, Suprio generalis, FFSP, Opfenbach, 21 de Outubro de 1996)
Um guia silencioso para a fé católica
Os missionários do Verbo Divino (Steyl), Padre Götsch e Irmão Gervásio, tiveram na China uma experiência que escapa a qualquer compreensão racional.
O Irmão Gervásio acompanha o padre de Kaotai até uma doente grave. Após uma cavalgada de três dias, de mais de duzentos quilómetros, chegam ao destino, mas a mulher doente já tinha morrido. Abatidos, os missionários iniciam o regresso. A meio da cavalgada pela montanha encontram um rapaz, que lhes pede que o acompanhem até junto da sua mãe. O rapaz conduz os dois cerca de 15 km para fora do caminho, a uma pequena povoação. Numa cabana de barro espera uma moribunda. Ela faz aos dois missionários, de repente, perguntas estranhas:
«Estrangeiro, queres responder-me com verdade?»
«Com certeza.»
«Há um Deus em quem há três figuras? Há no outro mundo um lugar de alegria para os bons e um lugar de horror para os maus? É verdade que Deus veio a esta terra para morrer pelos homens e abrir-lhes o lugar da alegria? Estrangeiro, é tudo isto verdade?»
O sacerdote confirma, admirado, todas estas perguntas. Como conhece a doente estas verdades da fé?
«Tens água contigo», continua a doente, «lava-me, para que eu chegue ao lugar da alegria!»
Como sabe ela que o Padre Götsch traz água baptismal consigo? Depois de uma breve conversa, o missionário confere o Baptismo à doente. Cheia de alegria, a mãe formula um novo desejo: «Tens pão contigo. Não um pão comum, mas Deus mesmo. Dá-me também disso.»
A moribunda sabe também que o sacerdote traz consigo o Santíssimo. Padre Götsch dá-lhe a Sagrada Comunhão e administra-lhe a Unção dos Enfermos.
Depois diz ele: «Até agora fizeste perguntas; agora faço-te eu algumas: Como conheces as verdades da fé? Foram-te contadas por cristãos católicos ou evangélicos?»
«Não conheço cristãos, estrangeiro!»
«Leste tudo isto em livros?»
«Não sei ler. Nem sei que existe literatura cristã na minha língua.»
«Mas então de onde vem o teu conhecimento da fé?»
«Pensei simplesmente que tinha de ser assim. Há dez anos que vivo segundo esta fé. Também ensinei os meus filhos. Podes “lavá-los” (ela quer dizer baptizá-los).»
«Sabias que hoje passaríamos por aqui?»
«Sim, tive um sonho e vi um homem mais velho, que me disse que mandasse o meu filho ao caminho e chamasse os dois estrangeiros: eles “lavar-me-iam” para o bom lugar depois da morte.»
Os missionários ficam profundamente comovidos. O modo de ser da doente, diante da morte, é tão simples que não resta lugar para dúvidas. Na despedida oferecem-lhe uma pequena imagem de São José, padroeiro dos moribundos. A doente fica fora de si de alegria: «Conheço-o, ele já me visitou. Já esteve comigo muitas vezes e deixou-me mandar o meu filho ao caminho para vos chamar.»
Esteve ele em sonho ou na realidade junto dela? Ela não sabe, e também não lhe importa. Importante é o que experimentou por meio dele.
A mulher morreu ainda na mesma noite.21
Amoroso São José, poderoso protector depois da santa Igreja, olhai para a grande tribulação da Esposa de Jesus Cristo e para a terrível necessidade de tantas almas. Ó, vinde em seu auxílio com Jesus e Maria, os anjos e os santos. Confundi os planos dos ímpios e acendei os corações dos fiéis com o ardor do Espírito Santo, para que confessem Jesus livre e abertamente, lutem pelas causas do Reino de Deus e vençam. Ámen.22
21 Segundo um relato de Ludwig Lenzen em «Weite Welt», n.º 1, Janeiro de 1976.
22 Imprimatur: Regensburg, 13.3.1977.
Os peixes na rede da Igreja
Muitas pessoas deixam-se influenciar fortemente pela nossa sociedade totalmente orientada para o aquém e sem fé e, quase sempre forçadas pela lei do pecado (cf. Rm 7,23), separam-se da corrente sacramental da vida da Igreja. Mas, apesar de toda a aparente «liberdade»23 em cujo nome os valores morais e religiosos são lançados borda fora, reina em muitos corações uma profunda tristeza e solidão. Pois, quando nos despedimos dos mandamentos de Deus e da Sua Igreja como crianças teimosas, acabamos por enfrentar o caos de uma vida fracassada.
Ó mundo injusto! Fazes tudo para Me expulsar da face da terra, para Me banir da sociedade. […] Tramas intrigas para destruir a Minha Igreja e matar os seus servos. […] E Eu envergonhar-te-ei com o Meu amor. […] Só a palavra «vontade de Deus» encerra um milagre eterno, ao qual nada se pode igualar. […] A Minha vontade contém a substância de todas as alegrias, a fonte de todas as bem-aventuranças. Jesus à serva de Deus Luisa Piccarreta
23 Que esta «liberdade» nos torna finalmente escravos, mostram-no as palavras de Jesus no Evangelho de João. «Se permanecerdes na Minha palavra, sereis verdadeiramente Meus discípulos. Então conhecereis a verdade, e a verdade libertar-vos-á. […] Em verdade, em verdade vos digo: todo aquele que comete o pecado é escravo do pecado. Ora, o escravo não permanece para sempre na casa; o Filho é que permanece para sempre. Portanto, se o Filho vos libertar, sereis realmente livres.» (Jo 8,31-36)
Quando «esquecemos» cada vez mais Deus, única fonte de toda a alegria, e nos distanciamos da Sua santíssima vontade, a nossa consciência vai-se obscurecendo pouco a pouco e a fé desvanece-se. Pois fé e pecado não podem ser vizinhos duradouros, e, porque se ama o pecado e não se quer deixá-lo, a fé tem de ceder.
Diante desta verdade, prega São Paulo: Conservando a fé e uma boa consciência. Por a terem rejeitado, alguns naufragaram. (1 Tm 1,19)
Pratica-se já não como católico, critica-se em voz alta a religião e a Igreja, duvida-se das verdades fundamentais do cristianismo e, de um dia para o outro, torna-se protestante ou abandona-se definitivamente a Igreja. Sobre este tema observou São Cipriano: Ninguém se persuada de que os bons possam deixar a Igreja. As tempestades levam consigo a moinha e a palha, não o trigo.
Quando um jovem se gabou diante do filósofo Pascal de já não crer, este respondeu-lhe: «Afasta de ti o pecado, e amanhã serás de novo crente.»
Embora os «filhos deste mundo» já não queiram ouvir a doutrina da Igreja e as suas exigências morais, todos os pastores e fiéis são chamados a manter-se firmes e fiéis à verdadeira fé católica. Sobretudo aqueles sacerdotes que se mantêm fiéis ao amor ao Senhor e à Sua verdade percorrem, é certo, o caminho do martírio, mas conservam, apesar de muitas tentações, a sua dignidade e tornam-se ao mesmo tempo bênção para um grande número de almas que Deus lhes confiou. Lutam, como João Batista, pela indissolubilidade do matrimónio e atraem assim o ódio de «Herodíades» – «do mundo». Como Estêvão, dão testemunho da verdade de Cristo e entram, com isso, nos combates mais violentos: Ao ouvirem tais coisas, estremeciam de fúria em seus corações e rangiam os dentes contra Estêvão. (At 7,54) E como o beato sacerdote mártir Otto Neururer, assassinado pelos nazis porque se opôs claramente ao casamento de uma jovem com um oficial nazi divorciado e saído da Igreja, assim também os sacerdotes fiéis são perseguidos, se não fisicamente, pelo menos espiritual e psicologicamente, por causa do santo Evangelho. Poderiam aduzir-se ainda inúmeros exemplos, que nos mostram claramente: Jesus não abandona a Sua Igreja, porque ela é a Sua amada Esposa e porque por ela derramou a última gota do Seu sangue. Do Seu Coração trespassado corre o vinho nupcial dos santos sacramentos, de cujos frutos nos privamos para o tempo e para a eternidade, quando renegamos a nossa fé católica.
Precisamente esta grave perda da fé e dos valores morais, que nas últimas décadas se desmoronaram em grande parte, desempenha um papel decisivo nos trágicos escândalos de abusos, que infligem feridas profundas ao Corpo místico da Igreja.24
Hoje conduz as almas dos hereges (daqueles que perderam a verdadeira fé) e dos apóstatas (que saíram da Igreja) até Mim e mergulha-as no mar da Minha misericórdia. Na amarga paixão, rasgaram o Meu Corpo e o Meu Coração – isto é a Minha Igreja. Quando regressam à unidade da Igreja, então as Minhas chagas cicatrizam e assim aliviam os Meus tormentos. Jesus à santa Irmã Maria Faustina
24 Enquanto os cristãos morrem pela sua fé e pela sua fiel adesão a Jesus, no Ocidente homens da Igreja tentam reduzir ao mínimo as exigências do Evangelho. Chegamos até a usar a misericórdia de Deus e a sufocar a verdade e a justiça. […] O verdadeiro escândalo não é propriamente a existência de pecadores, pois para eles há sempre misericórdia e perdão, mas a falta de clareza quanto ao bem e ao mal, […]. Quando homens consagrados a Deus já não são capazes de compreender a radicalidade da mensagem do Evangelho e tentam adormecê-la, então sairemos do caminho. Pois aqui temos uma verdadeira transgressão contra a misericórdia. […] Hoje há um confronto e uma rebelião contra Deus, uma luta organizada contra Cristo e a Sua Igreja. […] (Cardeal Robert Sarah, Gott oder Nichts, 2015)
Palavras de encorajamento do Papa emérito Bento XVI
Numa visão profunda de conjunto, o Papa Bento XVI dá-nos, na sua carta publicada, impulsos claros e encorajadores para um novo despertar da Igreja, que só se pode orientar pela obediência e pelo amor ao nosso Senhor Jesus Cristo. Citamos aqui um pequeno excerto desta carta:
Uma primeira tarefa, que deve decorrer das convulsões morais do nosso tempo, consiste em que nós próprios voltemos a viver a partir de Deus e para Ele. Antes de tudo, temos de reaprender a reconhecer Deus como fundamento da nossa vida. […]
Deus fez-Se homem. A criatura humana é-Lhe tão cara que Se uniu a ela e assim entrou de modo bem concreto na história humana. […] Falamos disto na teologia com palavras e pensamentos eruditos. Mas é precisamente assim que surge o perigo de nos tornarmos senhores da fé, em vez de nos deixarmos renovar e governar pela fé.
Consideremo-lo num ponto central, a celebração da Santa Eucaristia. O nosso trato com a Eucaristia só pode suscitar preocupação. No Concílio Vaticano II tratou-se, com razão, de colocar de novo no centro da vida cristã e da existência da Igreja este sacramento da presença do Corpo e do Sangue de Cristo, da presença da Sua pessoa, do Seu sofrimento, da Sua morte e da Sua ressurreição. Em parte, isto realmente aconteceu, e queremos por isso agradecer de coração ao Senhor.
Mas predomina amplamente uma outra atitude: não domina uma nova reverência pela presença da morte e da ressurreição de Cristo, mas um modo de tratar com Ele que destrói a grandeza do mistério. A participação decrescente na celebração eucarística dominical mostra quão pouco nós, cristãos de hoje, conseguimos ainda avaliar a grandeza do dom que consiste na Sua presença real. A Eucaristia é rebaixada a um gesto cerimonial, quando se considera natural que a cortesia exija distribuí-la, em festas familiares ou em ocasiões como casamentos e funerais, a todos os que foram convidados por razões de parentesco. A naturalidade com que, em muitos lugares, simplesmente todos os presentes recebem também o Santíssimo Sacramento mostra que na comunhão já só se vê um gesto cerimonial.
Se reflectirmos sobre o que é preciso fazer, torna-se claro que não precisamos de uma outra Igreja inventada por nós. O que é necessário é, antes, a renovação da fé na realidade de Jesus Cristo, dada-nos no sacramento. […]
A crise provocada pelos numerosos casos de abuso por parte de sacerdotes leva a considerar a Igreja quase como algo malogrado, que temos agora de tomar em mãos e refazer completamente. Mas uma Igreja feita por nós mesmos não pode ser uma esperança.
O próprio Jesus comparou a Igreja a uma rede de pesca, na qual há peixes bons e maus, que no fim têm de ser separados por Deus mesmo. Ao lado disto está a parábola da Igreja como um campo, onde cresce o bom trigo que Deus mesmo semeou, mas também o joio que «um inimigo» semeou às escondidas. Na verdade, o joio no campo de Deus, que é a Igreja, é excessivamente visível, e os peixes maus na rede também mostram a sua força. Mas, apesar disso, o campo continua a ser o campo de Deus, e a rede continua a ser a rede de pesca de Deus.
E há em todos os tempos não só o joio e os peixes maus, mas também a semente de Deus e os peixes bons. Anunciar ambas as coisas com ênfase não é uma apologética falsa (defesa), mas um serviço necessário à verdade.
Neste contexto é necessário remeter para um texto importante do Apocalipse de João. Aí o diabo é apresentado como o acusador, que de dia e de noite acusa os nossos irmãos diante de Deus. (Ap 12,10) O Apocalipse retoma assim um pensamento que está no centro da narrativa-moldura do livro de Job. (Jb 1 e 2,10; 42,7-16) Aí se conta que o diabo tentou, diante de Deus, desvalorizar a justiça de Job como meramente exterior. […] Para os cristãos é claro que Job, que está diante de Deus como exemplo para toda a humanidade, é Jesus Cristo. No Apocalipse é-nos apresentado o drama do homem em toda a sua amplitude. Diante do Deus Criador está o diabo, que difama a humanidade inteira e toda a criação. Ele diz não só a Deus, mas sobretudo aos homens: Vede o que este Deus fez. Supostamente uma boa criação. Na realidade, ela está, na sua totalidade, cheia de miséria e de repugnância. Difamar a criação é, na realidade, difamar Deus. […]
Hoje, na acusação contra Deus, trata-se sobretudo de difamar a Sua Igreja como um todo e de nos afastar assim dela. A ideia de uma Igreja feita por nós mesmos, e melhor, é na realidade uma proposta do diabo, com a qual ele nos quer afastar do Deus vivo, por meio de uma lógica mentirosa, na qual caímos com demasiada facilidade. Não, também hoje a Igreja não consiste apenas de peixes maus e de joio. A Igreja de Deus existe também hoje, e é precisamente hoje o instrumento através do qual Deus nos salva. É muito importante contrapor às mentiras e meias-verdades do diabo a verdade inteira: sim, há pecado e mal na Igreja. Mas há também hoje a santa Igreja, que é indestrutível. Há também hoje muitas pessoas que creem humildemente,25 que sofrem e amam, nas quais o Deus verdadeiro, o Deus que ama, se nos mostra. Deus tem também hoje as Suas testemunhas («martyres») no mundo. Só temos de estar atentos para as ver e ouvir.
A palavra mártir foi tomada do direito processual. No processo contra o diabo, Jesus Cristo é a primeira e verdadeira testemunha de Deus, o primeiro mártir, a quem desde então se seguiram inumeráveis outros. A Igreja de hoje é mais do que nunca uma Igreja de mártires e, assim, testemunha do Deus vivo. Se olharmos e escutarmos com um coração atento, podemos encontrar hoje, em toda a parte, sobretudo entre as pessoas simples, mas também nos altos postos da Igreja, as testemunhas que, com a sua vida e o seu sofrimento, se põem ao lado de Deus. É uma preguiça do coração não as querer perceber. Entre as grandes e essenciais tarefas do nosso anúncio está o dever de, na medida do possível, criar lugares de vida da fé, e sobretudo de os encontrar e reconhecer. […]26 Papa emérito Bento XVI
25 Quando Jesus, em Mc 9,42, adverte contra «induzir ao mal um destes pequeninos», refere-Se aos «simples crentes, que podem ser levados à queda pelo orgulho intelectual dos que se julgam sábios». (Do texto integral, ibid.)
26 kath.net/pl, 2019.
Sou a mãe de todas as crianças deste mundo; porque me insultas, mundo? Eu fui o anseio de todos os tempos. Sou o caminho de todos os seus caminhos: sobre mim caminham os milénios até Deus. Gertrud von Le Fort
O Santo Sacrifício da Missa nas catacumbas
A Igreja perseguida
A beata Irmã da Cruz Zdenka Schelingová,27 nascida em 1916 em Kriva (Checoslováquia), é um exemplo de uma multidão inumerável de mártires, que ofereceram a sua vida por amor a Cristo e à Sua Igreja.28
A Irmã Zdenka tinha um equilíbrio interior extraordinário, e dos seus olhos irradiava algo de incrivelmente misterioso. O seu sorriso delicado e modesto tornou-se para ela um lema, de modo que começou o seu diário com as palavras: Com um sorriso colhe as pequenas rosas da dor, com um sorriso fala, com um sorriso ajuda, com um sorriso aceita as injustiças … Com um sorriso esconde tudo o que te magoa … Com um sorriso sobe ao Gólgota. Lá encontrarás Aquele que conhecia toda a maldade, toda a falsidade, todo o erro humano, muito antes de ti.
Como a sua vida estava profundamente ancorada no sacrifício de Jesus, mostram-no também as palavras seguintes: Atrás das nuvens escuras brilha o meu amado sol … Do altar do Senhor vou para o altar do meu trabalho, para o pequeno-almoço e depois para a enfermaria. Em toda a parte devo continuar o sacrifício do altar – sem medo e com alegria.
Com o objectivo de destruir a Igreja, os comunistas, a partir de 1950, dissolveram todos os conventos e seminários. A 20 de Fevereiro de 1952 aconteceu: no hospital em que a Irmã Zdenka trabalhava soou o alarme. Na noite anterior tinha fugido um doente, o sacerdote Štefan Koštial, gravemente maltratado por torturas. A polícia chegou a ocupar a capela, onde as irmãs estavam precisamente na Santa Missa, e a Irmã Zdenka pensou: Agora chegou o momento – agora também eu irei, pois fora ela quem ajudara o sacerdote a fugir. Mas a irmã, tão discreta, não foi de início suspeita. Só nove dias depois foi de facto presa. Uma segunda fuga, por ela preparada para esse dia, de mais três sacerdotes e três seminaristas, tinha sido descoberta. Na prisão seguiram-se quatro meses de interrogatórios cruéis. A Irmã Zdenka foi repetidamente torturada de forma brutal e depois arrastada de volta para a cela, coberta de feridas.
Quando uma vez quase foi espancada até à morte, sussurrou a uma companheira de prisão: O perdão é o maior bem da vida.
Quando a autoridade judicial viu que a Irmã Zdenka estava mortalmente doente devido às torturas brutais e aos três anos e meio passados em cinco prisões, decidiu libertá-la condicionalmente a 16 de Abril de 1955. O governo não queria de modo algum que a vissem como mártir.
Os últimos três meses, a Irmã Zdenka passou-os na enfermaria de oncologia. Rezava muito e, apesar de grandes dores, irradiava uma paz profunda.
Na noite de sábado para domingo, 31 de Julho de 1955, o estado da doente agravou-se, e, porque sentia que a sua vida chegava ao fim, pediu de manhã cedo a Sagrada Comunhão. Calma e silenciosamente morreu a Irmã Zdenka, aos 38 anos, enquanto na capela se celebrava o Santo Sacrifício da Missa.29
27 Tia-avó do P. Dr. Bernhard Vošicky OCist (Heiligenkreuz).
28 Os mártires são o sinal de que Deus vive e está sempre presente no meio de nós. O Seu amor misericordioso revela-se em Jesus Cristo, que prometeu não Se afastar da Sua Igreja nem daqueles que se decidiram a segui-Lo fielmente: «Eu estou convosco todos os dias, até ao fim dos tempos.» (Mt 28,20) Ora, a Sua presença é palpável nos Seus discípulos perseguidos: «Saulo, Saulo, porque Me persegues? Ele perguntou: Quem és Tu, Senhor? E o Senhor respondeu-lhe: Eu sou Jesus, a quem tu persegues!» (At 9,4-5) (Do livro Gott oder Nichts, do Cardeal Robert Sarah)
29 Cf. Triumph des Herzens n.º 78.
São Miguel Arcanjo, que no Céu defendestes o trono do Altíssimo contra o assalto de Lúcifer, protegei na terra o Vigário de Deus, o Papa, e a Igreja católica. Ámen.
A conversão de um actor
Entre os exemplos de verdadeiras conversões que se deram pela obra de São Pio de Pietrelcina (1887 – 1968) em San Giovanni Rotondo, destaca-se especialmente também a conversão do actor Carlo Campanini. […]
O caminho de Campanini para a conversão não tinha sido fácil. Nascera numa família pobre, mas tivera uma mãe muito piedosa. Carlo relata: Se alguma vez fiz algo de bom, foi apenas porque ela, lá do alto, rezou por este filho infeliz. Quem sabe o que teria sido de mim sem as suas orações. […]
A «faísca de Padre Pio» acendeu-se nele, como ele diz, quando tinha 19 anos. Trabalhava então na Argentina para um grupo de teatro do Piemonte. Certo dia disse ao seu amigo: Crer em Deus era simples enquanto ainda se podiam encontrar grandes santos como, por exemplo, São Francisco de Assis. Mas hoje, infelizmente, já não há grandes santos.
O seu interlocutor respondeu: Pois, ainda há santos. Temos um em Itália: chama-se Padre Pio. Um monge capuchinho que traz as chagas de Cristo e oferece o seu sofrimento pelo mundo. Estas palavras impressionaram Carlo profundamente.
O encontro de Campanini com o Padre aconteceu poucos anos depois. Ele próprio contou nos grupos de oração de Padre Pio: Eu tinha descarrilado, porque infelizmente só conseguia aceitar oito dos dez mandamentos do nosso Senhor; os outros dois incomodavam-me, e por isso rejeitei todos e vivia como um animal. […]
No fim de 1949 tinha atingido o auge da minha fama, filmava três filmes ao mesmo tempo, todos me invejavam e diziam-me: Tem sorte, entre todas essas mulheres bonitas, com os seus carros caros … Só posso dizer como me sentia. Odiava a minha vida.
A 10 de Janeiro de 1950 entrei no carro e fui ter com Padre Pio. Inscrevi-me para a confissão e esperei. Chegou a minha vez. Quando eu queria abrir a boca, Padre Pio disse-me: Diz-me tudo desde 1946. Podem imaginar como me senti.
Enquanto falava, olhava para o chão. Ele disse-me: Olha para mim! Olha-me no rosto. Mas eu simplesmente não conseguia. Então disse o Padre: Tens vergonha diante de mim, que sou um nada, mas a Ele ofendeste-O sem pensar nisso. […] Queria ouvir tudo. E só quando lhe prometi mudar toda a minha vida é que me deu a absolvição. Desde aquele dia comecei verdadeiramente a viver.
Desprezai as vossas tentações e não vos detenhais com elas. Imaginai Jesus crucificado nos vossos braços e no vosso coração, beijai a Sua chaga do lado e dizei: Aqui está a minha esperança, aqui está a fonte viva da minha felicidade. Seguro-Vos, meu Jesus, e não Vos deixo, até que me tenhais posto em segurança. São Pio de Pietrelcina
A Missa noturna dos perseguidos (Gebhard Fugel, por volta de 1920)
A Santa Missa
Durante a sua estadia em San Giovanni Rotondo, o Padre conduziu Carlo não só de volta à graça de Deus, mas também o orientou nos primeiros passos da sua nova vida. Como alicerce pôs a Sagrada Eucaristia.
Campanini confessa abertamente que não tinha compreendido nem o valor da Santa Missa nem o da Sagrada Comunhão, e que, como tantos outros, pensava que se podia ser um bom cristão sem assistir à Santa Missa.
Quando observava o Padre no altar, como olhava para a hóstia consagrada, perguntava-se: Para que servem estas lágrimas e este sangue que lhe escorre das mãos? Porque sofre assim? Porque dá, dia após dia, um testemunho tão doloroso diante dos olhos das pessoas?
O actor conta: Certo dia, enquanto me colocava estas perguntas, ouvi claramente uma voz no meu coração dizer: Olha também tu para aquele crucifixo. […] Quantas vezes te apoiaste nessa coroa de espinhos para Lha cravares ainda mais fundo na carne; quantas vezes também tu bateste com o martelo nessas mãos e nesses pés feridos?
Comecei a chorar e teria gostado de fazer uma confissão geral diante de todas aquelas pessoas na igreja. Senti uma dor como nunca antes tinha conhecido na minha vida. E, ao mesmo tempo, dei-me conta de que não tinha recebido nenhuma mensagem nova: aquelas palavras lembraram-me que já me tinham dito, desde criança, no catecismo, que Jesus morreu por nós e que o Seu sacrifício se renova na Santa Missa. E ainda devia receber um sinal.
Na manhã antes da minha partida fui ao altar para receber a Sagrada Comunhão. Quando o Padre me deu a hóstia, senti-a queimar-me na língua, como se ele me tivesse colocado lá um archote.
Na maneira de receber a Sagrada Comunhão deve refletir-se aquela amorosa reverência e aquela delicadeza com que a Igreja rodeia o seu divino Esposo nas formas humildes do pão e do vinho. Das Constituições das Capuchinhas da Adoração Perpétua de Salzburgo
Escondi-me atrás da igreja para ocultar as minhas lágrimas de alegria e de comoção. Senti verdadeiramente a presença de Deus. Naquele dia prometi a Jesus, em agradecimento por me ter deixado compreender o dom da Santa Eucaristia, que iria todos os dias à Santa Missa e comungaria.
Quando voltei a Roma, disseram-me que estava a exagerar e que me estava a tornar um fanático, pois mesmo a Igreja só exige uma comunhão por ano e a Santa Missa ao domingo. Mas mantive-me fiel à minha promessa.30
O amor ao sofrimento
Padre Pio ensinou muito a Campanini, mas o que mais o impressionou e o que considera a lição mais importante é o amor ao sofrimento. Certo dia, na confissão, disse-lhe o Padre: Meu filho, se a humanidade pudesse compreender o valor dos sofrimentos, os homens já não procurariam as alegrias, mas apenas as dores.
Carlo admite que ficou aterrado com estas palavras do santo; não as conseguia compreender. Mas, à medida que, com o tempo, se foi tornando mais íntimo do Padre, assimilou esta doutrina. Disse: Vi o sofrimento indizível do Padre e vi que o oferecia com alegria para a salvação das nossas almas. Então também eu comecei aos poucos a compreender que, apesar da minha miserabilidade, podia oferecer ao Senhor do universo algo por meio do meu sofrimento.31
30 Centenas de milhares de pessoas, em profunda comoção, assistiram à celebração da Missa de Padre Pio em San Giovanni Rotondo, viram o seu choro, os seus estigmas sangrentos, e sentiram algo do imenso drama que se realiza na renovação do sacrifício do Gólgota.
31 «Der Padre», 1.º volume, de P. Marcellino Iasenza Niro, 2006.
Oferenda diária
Pai Eterno, pelas mãos puríssimas de Maria, deponho no cálice que hoje cada sacerdote eleva no altar os meus pensamentos, o meu trabalho, os meus esforços e sofrimentos, a minha presença, o meu passado, o meu futuro, todos os meus pecados, todos os meus entes queridos, todas as almas do mundo, as almas do Purgatório, a própria morte.
Ofereço-Vos cada batida do meu coração, cada respiração, cada passo, cada som, com a intenção de que cada um destes meus actos seja por Vós transformado em outros tantos actos de amor, em reparação pelos pecados do mundo. Concedei que, unido ao Vosso Filho Jesus Cristo, o meu dia seja uma Missa contínua, um sacrifício permanente,32 uma comunhão eterna, para satisfazer à Vossa divina justiça! Ámen.33
32 Como Jesus renova diariamente o Seu holocausto total na Santa Missa, também nós podemos, na celebração do Santo Sacrifício da Missa, renovar a nossa entrega conforme o nosso estado de vida, que oferecemos ao Pai Celeste unidos ao sacrifício de Cristo. Cada louvor, cada súplica e cada oferenda são como um vaso de tirar água, com o qual vamos continuamente retirando novas graças das riquezas infinitas do Coração de Deus.
33 Imprimatur: 28.12.1970.
A estrela divina e a alma nupcial
Jesus, o Salvador, é a minha estrela.
Viver só para Ele, oh, isso quero de bom grado.
Não só do céu Ele me ilumina,
mas também fundo no coração, sempre e sempre.
Outrora foi uma pequena estrela no santo seio,
oculto como homem e, contudo, DEUS, todo-poderoso e grande.
Desde sempre determinado pelo eterno desígnio,
devia o VERBO DE DEUS tornar-se criança.
A Santa Virgem deu-O à luz;
MARIA é o seu nome, DEUS a escolheu.
Ela ama-me tanto e conduz-me à estrela,
ó Sua Mãe, como a amo!
Não deve o mundo desfalecer de espanto?
Ela viu, pois, na terra a estrela do céu!
Caminhando cheio de amor, em graça divina,
para iluminar as ovelhas na pobreza e na culpa.
No alto do Gólgota, não consigo compreendê-lo:
a minha estrela empalidece amorosamente na cruz.
Oh, agora está tão escuro e noite no mundo,
mas já após três dias Ele ilumina tudo.
Agora mora junto do Pai, no firmamento,
e brilha cheio de bondade sobre o mundo inteiro.
Contudo prometeu que ficaria também aqui,
oculto no sacrário; aí brilha para mim.
Basta apressar-me a ir depressa à igrejinha,
ali Ele habita cheio de amor e espera pela criança.
Adorando e maravilhado, ajoelho-me aqui,
até que Ele me pergunte: «Minha criança, que desejas de Mim?»
«Ó estrela, ó estrela, que as ovelhas encontrem o caminho para Vós!»
Ouve, pois, o que Ele me responde:
«Ama e sofre e reza por elas,
então hei de conduzi-las à porta do céu!»
Pergunto ainda à estrela: «Ó diz-me,
o que sou eu para Vós?»
Então ouço-O dizer-me, cheio de alegria:
«Criança, menina, Esposa do Meu coração, agrada-te assim?»
Agora quer saber se também eu O amo.
«Ó estrela, Vós sabeis tudo, só a Vós amo!»
E se me dessem ouro e dinheiro, e até países inteiros,
eu só diria: isso não é verdade.
À estrela pertence tudo, tudo só a Ele,
e admira-te, ó milagre: Ele é meu.
Pelo sopro da Sua boca surgem mundos,
nem um só pensamento Lhe pode escapar.
Mesmo quando às vezes estou muito angustiada e aflita,
quero confiar-me cada vez mais a Ele.
Só por amor Ele me envia o sofrimento,
pois conhece o valor para a eternidade.
E se eu encontrasse uma criatura humana totalmente perdida,
logo lhe perguntaria: «Então também tu caíste nas mãos dos salteadores?
Vem depressa, corramos à estrela, Ele ama também a ti,
e em breve serás tão feliz como eu.»
Quando então a minha vida um dia terminar,
a minha estrela brilhará para mim na casa celestial.
O meu coração quer rebentar de júbilo e de felicidade,
finalmente em casa, estou totalmente extasiada.
Os anjinhos no céu cantam bem alto:
«Oh, vede, vede, agora chega a Esposa!»
Ele abraça-me cheio de amor junto ao divino coração
e enxuga-me dos olhos todas as lágrimas e dores.
Agora vivo junto da estrela cheia de bem-aventurança
e celebro com Ele as núpcias por toda a eternidade.
Louvado seja o SENHOR, que me contemplou
como Sua pequena Esposa do coração.
E se eu entristecer o Seu Sagrado Coração,
então quero chorar só de arrependimento e de dor.
Então Ele me ilumina de vermelho com o Sangue sagrado
e lava-me limpa numa chama púrpura.
Também para ti, minha alma, Ele não está longe,
Ele espera cheio de amor e tem-te tanta afeição!
A minha estrela contempla-me desde a eternidade,
achas que Ele não pensa também em ti? Irmãs Capuchinhas da Adoração Perpétua
Eu virei em breve e trarei comigo a recompensa, para retribuir a cada um conforme as suas obras. … Eu sou o rebento e a descendência de David, a estrela brilhante da manhã. O Espírito e a esposa dizem: «Vem!». … Sim. Virei em breve. – Ámen! Vem, Senhor Jesus! Ap 22,12-20
Bem-aventurada Angelina de Marsciano
Oração pelas vocações sacerdotais e religiosas
Senhor Jesus, como outrora chamastes os primeiros discípulos e os fizestes pescadores de homens, fazei também hoje ressoar continuamente o Vosso bom convite: «Vem e segue-Me!». Concedei aos jovens e às raparigas a graça de Vos responder prontamente ao Vosso chamamento! Amparai os nossos bispos, os sacerdotes e os religiosos no seu árduo trabalho pastoral. Concedei perseverança aos nossos seminaristas e a todos os que procuram realizar o ideal da entrega total ao Vosso serviço. Despertai nas nossas comunidades o espírito missionário. Enviai, Senhor, operários para a Vossa messe e não permitais que a humanidade, pela falta de sacerdotes, missionários e religiosos, conheça pouco o Evangelho.
Maria, Mãe da Igreja, modelo de toda a vocação, ajudai-nos a colaborar no plano divino da salvação com o Senhor que nos chama, respondendo com um «sim». Ámen. São João Paulo II
A Santa Missa é o meu céu na terra! São Lourenço de Brindisi
Felizes os convidados para o banquete das núpcias do Cordeiro. Ap 19,9