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O Seu Nome está escrito nas suas frontes

O Seu Nome está escrito nas suas frontes

O poder do Santíssimo Nome de Jesus no combate dos tempos finais

Jesus, fonte de toda a bondade, esperança que dá força a toda a alegria, sois a origem de toda a beleza, a paixão mais profunda do coração.

Jesus, em quem esperam os penitentes; quão bom sois para quem Vos procura, quão bom para todos os que Vos buscam; que será para quem Vos encontra?

Jesus, verdadeiro sol da vida para todo aquele que Vos deseja, que Vos procura mesmo entre lágrimas e aguarda ansioso a resposta do Céu.

Jesus, nosso Senhor e Salvador, a Vossa luz dá-nos o dia novo, o mundo está de novo seguro em Vós, as trevas sucumbiram à luz.

Jesus, Rebento da Virgem Mãe, belo esplendor do nosso amor, a Vós seja o agradecimento, a Vós o louvor e a honra, um dia, plenamente, no Reino dos bem-aventurados. Ámen.

Do hino das Laudes na Festa do Nome de Jesus

Esta brochura do Movimento Marianíssimo de Sacerdotes e Leigos apresenta o poder do Santíssimo Nome de Jesus: os testemunhos de numerosos santos, a invocação e a adoração deste Nome no quotidiano, a sua força curadora e libertadora, bem como o seu significado no combate dos tempos finais, que o Apocalipse de São João descreve.

Anunciação do Arcanjo Gabriel a Maria

Anunciação do Arcanjo Gabriel a Maria

Prefácio

Porás-Lhe o nome de Jesus. Ele será grande, será chamado Filho do Altíssimo. Lc 1,31-32

O nome de Jesus é o nome com que o próprio Deus, a segunda Pessoa divina da Santíssima Trindade, quis ser chamado na Sua natureza humana. Este nome foi-nos trazido do Céu, pois soou pela primeira vez aqui na terra da boca do arcanjo Gabriel. Este nome é a expressão do sentido e do fim da Encarnação, isto é, da Redenção, pois Jesus significa, em hebraico, Salvador. Este nome foi depois também escrito sobre a madeira da cruz no Gólgota, e desde então adorna todas as cruzes e representações da cruz.

Humilhou-Se a Si mesmo, obedecendo até à morte, e morte de cruz. Por isso Deus O exaltou e Lhe concedeu o nome que está acima de todos os nomes, para que ao nome de Jesus todo o joelho se dobre nos céus, na terra e nos abismos, e toda a língua confesse que Jesus Cristo é Senhor, para glória de Deus Pai. Flp 2,8-11

A redenção significa participar da natureza divina pela graça redentora de Cristo. É a bem-aventurança em Deus já aqui na terra, na vida da graça, e um dia na visão beatificante de Deus. No livro do profeta Habacuc encontra-se esta bela afirmação na versão latina da Vulgata: Exultabo in Deo Iesu meo, (Hab 3,18) isto é, Eu exulto em Deus, meu Jesus (= Salvador). A nossa bem-aventurança eterna consistirá em exultar em Jesus, nosso Deus e Salvador, isto é, por Ele, no Deus Trino.

No Céu receberemos um nome novo (cf. Ap 2,17), e na fronte dos salvos será escrito o nome de Deus (cf. Ap 3,12), isto é, o nome de Jesus e o nome do Pai. (Cf. Ap 14,1) Já na Antiga Aliança Deus nos prometeu: Todo aquele que é chamado pelo Meu nome, aquele que Eu criei e formei, aquele que fiz para a Minha glória. (Is 43,7) Este nome, no qual Deus formou os eleitos, isto é, aqueles que finalmente serão salvos, é o nome do nosso Redentor. São Paulo ensina que o homem novo é renovado segundo a imagem daquele que o criou. (Cf. Cl 3,10)

A missão da Igreja consiste em levar a redenção de Cristo, e com ela o Seu Nome, até aos confins da terra, como o Senhor disse do Apóstolo recém-convertido: Ele há de levar o Meu nome aos pagãos, aos reis e aos filhos de Israel. (At 9,15) Pois esta é a vontade de Deus, que todos creiam no nome do Seu Filho. (Cf. 1 Jo 3,23) Pois não existe nenhum outro nome dado aos homens pelo qual possam ser salvos, (At 4,12) e quem invocar o nome do Senhor Jesus Cristo será salvo. (Cf. At 2,21)

A tarefa dos cristãos consiste em glorificar Deus no nome «cristão». (Cf. 1 Pd 4,16) Dos primeiros tempos da Igreja transmite-nos Clemente de Alexandria (início do séc. III) esta comovente afirmação sobre a dignidade dos cristãos:

Todos os verdadeiros fiéis são nobres e semelhantes a Deus, e dignos do nome de cristãos, que trazem como uma coroa real. Quis div. salv. 36,1

A tarefa do cristão consiste, porém, também em confessar o nome de Jesus diante dos homens (cf. Mt 10,32) e em desejar que toda a língua confesse que Jesus Cristo é Senhor. (Flp 2,11) Por causa desta confissão, a Igreja e os verdadeiros cristãos são odiados pelo mundo, como o próprio Senhor nos disse: Sereis odiados por todos por causa do Meu nome. Mas o que perseverar até ao fim, esse será salvo. (Mc 13,13) Contudo, para um verdadeiro cristão deve ser motivo de alegria sofrer ultrajes por causa do nome de Jesus. (At 5,41)

Todo o verdadeiro cristão deve deixar-se guiar em tudo o que faz por este versículo do Salmo: Não a nós, ó Senhor, não a nós, mas ao Teu nome dá glória. (Sl 115,1) Se, com a ajuda de Deus, pensarmos e agirmos assim, então Deus nos concederá a graça de, ao deixarmos esta vida terrena, termos a inefável alegria de pronunciar com o nosso coração e com a nossa boca o mais santo, mais poderoso e mais doce de todos os nomes, o nome de Jesus, ou de exclamar com São Filipe Neri: Meu Jesus! Jesus, sede para mim Jesus!

25 de Janeiro de 2021, festa da conversão do Apóstolo Paulo
+ Athanasius Schneider, Bispo auxiliar da Arquidiocese de Santa Maria em Astana

A Sagrada Família: Maria, José e o Menino Jesus

A Sagrada Família: Maria, José e o Menino Jesus

Testemunhas do poder do Santíssimo Nome de Jesus

Desde os inícios da Igreja, o poder e a sabedoria insondáveis que se escondem no Santíssimo Nome de Jesus foram reconhecidos como maravilhosos e únicos. Neste mistério do Nome divino penetraram certamente mais fundo a Mãe de Deus, Maria, e São José. Pois Deus lhes confiou o Seu Filho unigénito, para transmitir à humanidade inteira torrentes de graças do coração do Redentor. Por isso podemos pedir com confiança de criança, das suas mãos, o dom do amor ao Santíssimo Nome de Jesus. Pois Maria e José são os nossos guias mais seguros no caminho da oração contínua do coração.

Santo Inácio gostava muito de pronunciar o nome de Jesus. Conta-se dele o seguinte: Quando os Apóstolos disputavam entre si quem seria o maior no reino dos céus, Jesus chegou com eles a Cafarnaum, chamou ali um rapazinho de quatro anos que estava à porta de casa junto da sua mãe, tomou-o pela mão e disse aos Apóstolos: Se não vos converterdes e não vos tornardes como as crianças, jamais entrareis no reino dos céus. Aquele que se tornar humilde como esta criança, esse é o maior no reino dos céus. (Mt 18,3ss)

Este rapaz, Inácio, ia em anos posteriores muitas vezes àquele lugar para onde o Salvador o tinha chamado, beijava ali o chão e dizia aos seus companheiros: Vede, neste lugar Jesus tomou-me nos Seus braços.

Inácio cresceu, tornou-se mais tarde sacerdote e depois bispo na grande cidade de Antioquia, onde antes São Pedro tinha trabalhado durante sete anos. Antioquia depressa se tornou cristã. Quando o imperador romano Trajano, na sua campanha militar, chegou a Antioquia e encontrou ali os templos dos ídolos vazios, perguntou ao governador quem era o culpado de os templos estarem vazios. O governador respondeu: O bispo dos cristãos, Inácio, é o culpado. Então o imperador mandou comparecer diante de si o bispo já idoso e perguntou-lhe: És tu o espírito maligno que causa tanta agitação nesta cidade? Inácio respondeu: Não é espírito maligno aquele que traz Deus no coração! O imperador disse: Referes-te, certamente, a Jesus de Nazaré? O bispo confirmou e instruiu o imperador sobre a insensatez do culto pagão dos ídolos. Com isto este ficou irritado e disse aos soldados: Ad leonem, isto é, para os leões. Os cristãos de Roma quiseram libertá-lo e impedir a sua morte. Mas Inácio escreveu-lhes uma carta e pediu-lhes que não lhe tirassem a coroa do martírio. Chegado a Roma, foi entregue no anfiteatro, diante de uma multidão imensa, a dois leões famintos.

Santo Inácio de Antioquia

Santo Inácio de Antioquia

Antes disso, Santo Inácio fez uma oração em voz alta e disse: O nome de Jesus não pode afastar-se da minha boca; e, mesmo que se afastasse, Ele não pode ser apagado do meu coração. Todos os espectadores pagãos se admiraram da firmeza e da morte jubilosa daquele ancião. Os leões despedaçaram-no e deixaram apenas alguns ossos e o coração. No coração podia ler-se o nome de Jesus, formado por veias azuis. Os companheiros de viagem de Santo Inácio recolheram de noite do anfiteatro as suas relíquias e levaram-nas para Antioquia, onde foram guardadas sobre o altar e tidas em grande honra. Isto aconteceu no ano 107. Deus, pois, distinguiu este santo, porque ele tinha tido em grande honra o nome de Jesus.1

A São Gregório de Tours (538–594) o seu Anjo da Guarda aconselhou que escrevesse o nome de Jesus num pequeno cartão e o pusesse debaixo da almofada do seu pai doente, e este recuperou depressa a saúde.

São Leonardo de Porto Maurício (1676–1751) recomendou que se afixasse nas portas um cartão com o nome de Jesus, pelo que muitos foram preservados de doenças e desgraças de toda a espécie.

1 Fonte: Spirago 796, ob. cit.

São Edmundo, rei de Inglaterra (840–870), mais tarde arcebispo de Cantuária, foi instruído pelo próprio Jesus sobre o poder do Seu Santíssimo Nome. Quando Edmundo, um dia, andava sozinho pelo caminho, apareceu-lhe um rapaz de beleza admirável, que lhe perguntou: Edmundo, não Me conheces? Edmundo respondeu que não. O rapaz disse-lhe então: Olha para Mim, e reconhecerás quem Sou. Edmundo fixou bem a criança e viu então na fronte as letras luminosas INRI Iesus Nazarenus Rex Iudaeorum (Jesus de Nazaré, Rei dos Judeus). Então disse a criança: Agora sabes quem Sou. Vês, pois, o Meu nome. Grava-o no teu coração. Escreve-O todas as noites na tua fronte, fazendo o sinal da Cruz e dizendo as palavras: Jesus de Nazaré, Rei dos Judeus. Isto preservar-te-á de uma morte súbita.

Eu quero enaltecer-Te, ó meu Deus e Rei, e bendizer o Teu nome para sempre. Sl 145,1
São Bernardo de Claraval em oração

São Bernardo de Claraval em oração

São Bernardo de Claraval (1090–1153) escreve aos seus monges: Aquilo que tenho sempre nos lábios, aquilo que tenho sempre no coração, aquilo que escrevo sem cessar, aquilo que constitui no mais fundo a minha filosofia, é Jesus, e isto como Crucificado.

No seu comentário ao Cântico dos Cânticos, descreve a semelhança do óleo com o nome de Jesus, que assenta igualmente em três propriedades: O óleo alimenta o fogo, nutre o corpo e alivia a dor. É, pois, luz, alimento e remédio. Observa agora os mesmos efeitos no nome do Esposo: Quando se prega, Ele ilumina; quando se contempla, Ele nutre; quando se invoca, Ele unge e alivia. Diz o Senhor: Invoca-Me no dia da tribulação; Eu te livrarei. (Sl 49,15, Vulgata; CEP Sl 50,15) […] Eis, minha alma, tens no nome de Jesus, como num frasquinho, o teu elixir. É absolutamente salutar e nunca deixará de fazer efeito em todas as tuas doenças. Ó, traz sempre este remédio no peito, tem-no sempre à mão, para que todo o teu pensar e agir se oriente para Jesus.

O Teu nome é como óleo derramado. Ct 1,2 (CEP Ct 1,3)
São Francisco de Assis

São Francisco de Assis

Sobre o grande amor de São Francisco (1181–1226) ao Santíssimo Nome de Jesus escreve Tomás de Celano, como que absorto em oração: Mais do que humanamente se pode compreender, comovia-se interiormente quando pronunciava o Vosso nome, Senhor santo. Então enchia-se todo de júbilo e da mais casta alegria, e aparecia verdadeiramente como um homem novo e de outro mundo. […]

Celano descreve também como São Francisco considerava continuamente a Encarnação e a Paixão de Jesus: Sobretudo a humildade da Encarnação de Jesus e o amor manifestado pelo Seu sofrimento ocupavam os seus pensamentos, a ponto de quase não querer pensar em outra coisa. […] Quando chamava o Menino de Belém ou Jesus, lambia, por assim dizer, os lábios com a língua, saboreando e sorvendo com o seu paladar bem-aventurado a doçura deste nome.

São Bernardino de Sena

São Bernardino de Sena

Duzentos anos depois, um filho espiritual de São Francisco, São Bernardino de Sena (1380–1440), havia de se tornar porta-estandarte do nome de Jesus. Nunca fazia uma missão popular sem uma pregação ardente sobre o nome de Jesus, cuja veneração reconhecia como o grande remédio contra a apostasia da fé. Na sua biografia lê-se: Quando por fim viu que o glorioso nome, que está acima de todos os nomes, (Flp 2,9) quase caíra no esquecimento nos corações dos homens, apoderou-se dele o desejo, como verdadeiro imitador do Apóstolo, de levar este nome diante de todos os reis, tribos e povos. (Cf. At 9,15)

Procurou arranjar uma pequena tábua de madeira, na qual este nome estivesse pintado ou desenhado com letras douradas. Mostrava esta tábua a todas as multidões que se reuniam diariamente para ouvir a sua pregação. E proclamava-lhes com voz elevada: Este é o vosso emblema, esta é a arma do povo de Deus! Este é o nome, amados fiéis, e não há outro em que possais ser salvos. (Cf. At 4,12) Este é também o nome salutar e amoroso, cuja imagem podeis trazer indelevelmente sobre o peito, contemplando-a diariamente, e afixá-la nas praças; e que cada um de vós deve pintar visivelmente e com beleza digna sobre a verga da porta da sua casa.

Este é o nome que, segundo o ensinamento do Apóstolo, deveis ter diante dos olhos em todos os dias de felicidade e invocar nos dias de infelicidade. Este santo nome está escrito, em primeiro lugar, no livro da vida, como testemunha o profeta; depois, na inscrição da cruz da nossa redenção, como vemos no Evangelho, (cf. Jo 19,19) e também está escrito na fronte de cada santo na pátria eterna.2 (Cf. Ap 22,4)

Para o triunfo e a glorificação do nome vitorioso de Jesus, para a salvação das almas e para a reparação das ofensas ao Santíssimo Nome de Jesus, São Bernardino recomendou aos homens três formas bem concretas de veneração:

  1. A oração contínua do coração pela invocação do Santíssimo Nome de Jesus
  2. O monograma do Nome de Jesus como sinal exterior e visível
  3. A difusão zelosa da devoção ao Santíssimo Nome de Jesus
Cantai ao Senhor, bendizei o Seu nome, anunciai de dia em dia a Sua salvação. Sl 96,2

2 Das Leben des heiligen Bernardin von Siena, traduzido por Lothar Schläpfer OFMCap, ed. W. Nigg e W. Schamoni, Düsseldorf 1967.

Viver sob o sol do Santíssimo Nome de Jesus

A chave da vida espiritual é a oração de Jesus. São Geronta Porfírio
Consideremos a nossa alma como um castelo todo ele de um diamante ou mui claro cristal, onde há muitos aposentos, assim como no Céu há muitas moradas. (Cf. Jo 14,2) Não encontro outra coisa com que comparar a sublime beleza e a capacidade de uma alma. Pela minha experiência, a oração e a reflexão são a porta pela qual se pode entrar no castelo. Santa Teresa de Ávila

A chave do Filho de David

O nome de Jesus é a oração do coração mais breve e a chave para entrar no castelo misterioso da nossa alma, que foi criada por Jesus e para Jesus. (Cf. Cl 1,12)

Isto diz o Santo, o Verdadeiro, Aquele que tem a chave de David, que abre e ninguém fecha, que fecha e ninguém abre […] Tu tens pouca força, e, no entanto, guardaste a Minha Palavra e não renegaste o Meu nome. […] Quanto ao vencedor, farei dele uma coluna no templo do Meu Deus, e jamais de lá sairá. Escreverei sobre ele o nome do Meu Deus e o nome da cidade do Meu Deus, a nova Jerusalém […] e escreverei sobre ele também o Meu novo nome. Ap 3,7-12

Jesus, que nos abriu o Céu como Redentor, possui também a chave da nossa alma. Só por meio de Jesus podemos verdadeiramente reconhecer como Deus nos pensou e que vocação Ele nos pôs no coração para o tempo e para a eternidade. O nome de Jesus é, por assim dizer, a palavra-passe da nossa própria alma, mas também a chave para reconhecer e compreender correctamente o nosso próximo. Neste sentido, explica-nos um monge da Igreja do Oriente: Devemos aproximar-nos de todos os homens e mulheres na rua, na loja, no escritório, na fábrica, no autocarro, onde fazemos bicha, sobretudo daqueles que nos são antipáticos, com o nome de Jesus no coração e nos lábios. Sobre todos eles devíamos pronunciar o Seu nome, pois o seu verdadeiro nome é o nome de Jesus. Neles venera Cristo, neles serve Cristo. Em muitos destes homens e mulheres Jesus está encarcerado. Liberta-O, reconhecendo-O neles e venerando-O. Quando andarmos pelo mundo com esta nova visão, pronunciando Jesus sobre cada pessoa, elas serão transformadas e transfiguradas diante de nós. Quanto mais nos dedicarmos aos homens servindo-os, tanto mais clara e viva será em nós esta nova visão.3

E se tivermos a dolorosa experiência de sermos feridos ou ofendidos pelos nossos semelhantes, ajuda-nos a palavra do Peregrino russo: Quando alguém me ofende, penso apenas em como é doce a oração de Jesus; logo a ofensa e toda a ira se desvanecem, e esqueço tudo.4

3 Im Namen Jesu ist Heil, de um monge da Igreja do Oriente, traduzido por Dr. Oswald Loretz, Innsbruck 1959, p. 58–59, Imprimatur da Administração Apostólica de Innsbruck n.º 2557/2, de 31.12.1958.

4 A oração de Jesus ajuda-nos a reconhecer Cristo em todos os homens e a ver todos os homens em Cristo. Por isso a oração de Jesus nada tem a ver com fuga do mundo ou negação do mundo. Pelo contrário, é uma forma extrema de afirmação da vida. A oração de Jesus não contém qualquer rejeição da criação de Deus; mostra antes uma altíssima estima por todos os homens e coisas em Deus. O nome de Jesus pode tornar-se uma chave mística para este mundo, um instrumento da oferta oculta de todas as coisas e de todos os homens; pois imprime no mundo o selo divino. (Kallistos Ware, Hinführung zum Herzensgebet, Freiburg 1982, p. 72–73, Imprimatur: Freiburg i. Br. 13.09.1982)

A adoração do Nome de Jesus (El Greco)

A adoração do Nome de Jesus (El Greco)

A invocação do Santíssimo Nome de Jesus

O bispo Johann Michael Sailer escreve sobre a invocação do Santíssimo Nome de Jesus: Todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo. (Rm 10,13) Esta é a promessa das promessas, porque não exclui ninguém que invoque o nome do Senhor e a todos promete o bem supremo. […] Esta promessa não nos faz esperar um dom pequeno, mas o bem supremo: quem invoca o nome do Senhor será bem-aventurado. A bem-aventurança, o bem supremo do homem, vem do Senhor, que é rico para todos.

Se o único Senhor, que é rico para todos, há de dar, é necessário que os necessitados aceitem o que lhes é oferecido. Quem não reconhece os seus pecados, a sua miséria, a sua pobreza, ou não quer dar honra ao nome do Senhor nem consentir em ser enriquecido por Ele, esse não invoca o Senhor como seu Senhor; despreza, pois, o dom das Suas mãos, fica pobre e miserável, continua pecador e conserva a maldição do pecado, fica sem amor e sem bem-aventurança. Pelo contrário, quem reconhece o seu pecado e a sua pobreza de amor e de bem-aventurança, quem em Cristo reconhece o seu Senhor, que é rico para todos, esse fala-Lhe também: Vós, que sois rico para todos, sede-o também para mim! Ensinai-me a amar como Vós amastes. Sede também a minha salvação e tornai-me bem-aventurado no amor! Di-lo e recebe um dom após outro; pode amar o seu Senhor e, amando-O, ser bem-aventurado Nele.

Quando pronunciamos com reverência e amor o nome de Jesus, unimo-nos ao nosso Redentor e Salvador, que, pela invocação do Seu Santíssimo Nome, se torna logo presente e toca e presenteia a nossa alma com a Sua graça.5 Pois, quando invocamos o Seu nome, invocamos ao mesmo tempo sobre nós os Seus méritos redentores, que, por este acto de nos voltarmos para o nosso Senhor e Deus, se tornam de novo eficazes.

Quando isto nos ficar realmente claro, esta verdade que nos enche de felicidade irradia por todo o nosso coração, e o caminho real da invocação do Santíssimo Nome de Jesus torna-se a pulsação da nossa vida.

5 O poder e a glória de Deus estão presentes e operantes no Seu nome. O nome de Deus é a divindade presente: «Emanuel – Deus connosco». No momento em que se invoca atenta e reflectidamente o nome de Deus, entra-se na Sua presença, abre-se à Sua força e entrega-se a si mesmo como instrumento e oferta nas Suas mãos. Um tal contacto proporciona-nos uma maior medida de vida sobrenatural e de amor ao próximo. Por isso a invocação do Santíssimo Nome de Jesus tem um carácter sacramental muito próprio. (Ibid., p. 134)

A Última Ceia

A Última Ceia

A nossa alma é um cenáculo, no qual a Última Ceia pode ser celebrada em todos os tempos. Em segredo, diz-nos Ele como outrora: Desejei ardentemente comer esta Páscoa convosco. (Lc 22,15)

Na Eucaristia visível, Jesus é oferecido sob as espécies de pão e vinho. Na Eucaristia no nosso interior, Ele pode ser designado e chamado somente pelo Seu Santíssimo Nome. Por isso podemos fazer da invocação do Santíssimo Nome uma comunhão espiritual.6

Para o Teu nome e para a Tua memória vai o desejo da nossa alma. Is 26,8

6 Ibid., p. 67.

A luz do nome de Jesus irradia através do coração e assim ilumina todo o universo. Padre Sérgio Bulgakov

A repetição do nome de Jesus é comparável ao bater de asas do pássaro que se eleva aos ares. Nunca deve ser penosa e forçada, apressada ou ruidosa. Deve ser delicada, leve e – no sentido mais profundo da palavra – graciosa, como uma graça. Quando o pássaro atinge a altura desejada, desliza no seu voo e só de vez em quando bate as asas para se manter no ar. Assim também a alma que acolheu em si o pensamento de Jesus e está cheia do «pensar Nele» pode deixar de repetir o nome e repousar em nosso Senhor. Quando outros pensamentos ameaçam afastar o pensamento de Jesus, então recomeça a invocação, para ganhar um novo impulso.7

Amai a oração, a conversa com o Senhor. Tudo depende de amar, de estar enamorado do Senhor, de Cristo, o Esposo. São Geronta Porfírio

7 Im Namen Jesu ist Heil, p. 26.

Quem acredita em Mim, como diz a Escritura, do seu interior jorrarão rios de água viva. Jo 7,37
A oração de Jesus é como uma corrente espiritual invisível, que derrama sem cessar, na nossa alma, a força de Deus – a Sua santa graça – da fonte sempre a correr, Jesus Cristo, e nunca se torna sem força; antes, à medida que o nosso volume espiritual se alarga, multiplica ainda mais as suas correntes de graça. Schimonach Ilarion
Desde o nascer do Sol até ao seu ocaso, seja louvado o nome do Senhor! Sl 113,3

Paz e reconciliação no Santíssimo Nome de Jesus

De que modo chegamos, pelo nome de Jesus, à paz e à reconciliação? Deixemos de novo falar o nosso monge da Igreja do Oriente:

O próprio nome é um meio de purificação e aperfeiçoamento. Uma pedra de toque e um filtro, pelo qual têm de passar os nossos pensamentos, palavras e obras, para serem libertados das suas impurezas. […] Quando formos tentados, o nome de Jesus traz-nos a vitória e a paz. Um coração já cheio do nome de Jesus e da presença do nosso Senhor não se demora em nenhum pensamento ou imagem pecaminosa. Mas somos fracos, e muitas vezes a nossa defesa desmorona, e então a tentação em nós é como água impetuosa. Nesse caso, não olhes para a tentação, não te debatas com o teu próprio desejo, não olhes para a tempestade nem te fixes em ti. Olha para o nosso Senhor, agarra-te a Ele, invoca o Seu Santíssimo Nome. Quando Pedro foi ao encontro de Jesus sobre a água e viu a tempestade, ficou com medo (Mt 14,30) e começou a afundar-se. Se, em vez de olharmos para as ondas e para o vento, avançarmos resolutamente sobre a água ao encontro de Jesus, Ele estenderá a Sua mão para nós e nos segurará. Pois todo aquele que invocar o nome do Senhor será resgatado. (Jl 3,5)

O nome de Jesus traz perdão e reconciliação. Se pecámos gravemente (tanto mais se pecámos levemente), podemos num instante voltar-nos, em arrependimento e amor, para o Santíssimo Nome, pronunciá-Lo de todo o coração, e o nome assim usado (pelo qual alcançamos a pessoa de Cristo) será já um sinal de perdão. Depois do pecado, não esperemos ociosamente, não adiemos nem hesitemos. Não hesitemos em retomar de novo a invocação do nome, embora sejamos indignos.8

Pela invocação do Santíssimo Nome de Jesus começa na nossa alma um processo de purificação muito especial, que traz à luz tudo o que é impuro e não santo, para que o nosso coração possa ser curado. São João Crisóstomo escreve: A lembrança de Deus abre à alma o que nela existe. Primeiro dá-se-lhe a conhecer o mal no seu coração, mais tarde também o bem. Ao princípio, a lembrança de Deus põe em movimento todo o poder do demónio; depois, ela doma-o pouco a pouco. Assim a oração pode descobrir o pecado que habita em nós e depois também apagá-lo.

8 Im Namen Jesu ist Heil, p. 34, 42-44.

Cristo e o filho pródigo

Cristo e o filho pródigo

O nome de Jesus Cristo penetra até às profundezas do coração, subjuga o adversário que aí domina, liberta e vivifica a alma. Neste caminho de purificação, o sacramento da Reconciliação é de extrema importância para o nosso crescimento espiritual.9

Quando, ao anoitecer, no exame de consciência, nos ajoelharmos como o filho pródigo diante dos pés do Pai Celeste e dissermos: Não sou digno de ser chamado Teu filho (Lc 15,19) e nos submetermos voluntariamente ao juízo de Deus, para dar a Deus a honra que Lhe é devida, então o nosso Anjo virá para o nosso lado. Ele mostra-nos a plenitude da misericórdia de Deus, a plenitude dos dons e das graças que nos foram concedidos e perguntamo-nos:

Como usámos o talento que nos foi confiado – seja o dom de educar, de conduzir, de aconselhar, de ajudar, de curar ou de amar? Não é a nossa vida feita de puras «negligências», de puro «querer fazer» e de «não ter feito»? Então, na verdade, caem dos nossos olhos as lágrimas de arrependimento, e rezamos:

9 Recebe o sacramento da Penitência sempre com zelo, confiança, respeito e dor interior pelos teus pecados. Este meio de graça causa grande pavor ao demónio, e ele esforça-se muito por afastar as almas dele ou por levá-las a recebê-lo com tibieza, por hábito, sem arrependimento e sem as outras condições necessárias. (Irmã Maria de Jesus de Ágreda, Leben der Jungfrau und Gottesmutter Maria, vol. 4, p. 212, Jestetten 1982, Imprimatur: Ordinariado Arquiepiscopal de Salzburgo, 31 de Maio de 1954, n.º 1311)

Afasta-te de mim, Senhor, porque sou um homem pecador! Lc 5,8

Mas Deus enche sempre a medida dos Seus actos e do Seu amor por nós. Inclina-Se para nós e toma a nossa medida. Ali jazem, sobre os nossos pequenos cacos, as gotas de sangue do nosso Senhor, as gotas de suor da agonia do nosso Senhor, com as quais Ele cobriu toda a nossa culpa e a nossa impotência. E ali jaz o Coração Imaculado da nossa Mãe, de quem somos filhos. E o coração materno é tão grande e tão largo que enche a medida até à borda, e por cima o nosso Anjo ainda põe o seu Sanctus, que reza sem cessar connosco e por nós, até a medida estar bem cheia e atestada.

E Deus faz o inconcebível. Aceita-o como se fosse nosso e estreita-nos com amor nos Seus braços, como ao filho pródigo.

(Segundo uma santa dos primeiros tempos do cristianismo)

Se a vossa alma repetir com reverência e anseio estas sete palavras: «Senhor Jesus Cristo, tende misericórdia de mim», nunca ficará saciada! Dizei-as durante toda a vida! Contêm tanta seiva! São Geronta Porfírio

Fazei tudo em nome do Senhor Jesus

Na sua escola da oração do coração, aconselha-nos Teófano, o Eremita: Trabalha e reza ao mesmo tempo a oração de Jesus, para que Deus te abençoe.10 O essencial é andar na presença de Deus, ou viver sob o olhar de Deus, na consciência de que Deus nos vê, de que Ele procura a nossa alma e o nosso coração. Esta consciência é a alavanca mais forte em todo o mecanismo da vida espiritual. Pois a oração de Jesus é uma lâmpada para os nossos passos e uma estrela-guia no nosso caminho para o Céu.11

Fazer tudo em nome do Senhor significa estar totalmente orientado para a Sua glorificação, esforçar-se por fazer tudo do Seu agrado, porque é a Sua vontade. Isto quer dizer: envolver todo o trabalho em oração, começá-lo com oração e terminá-lo com oração. Quando começamos, pedimos a bênção de Deus; no decorrer do trabalho, invocamos a Sua ajuda, e no fim damos-Lhe graças por Ele Se ter dignado cumprir a Sua obra em nós e por nosso intermédio.12

Pensai Vós em mim, ó Jesus, e então penso com luz e clareza. Falai Vós por mim, ó Jesus, e então falo com brandura e verdade. Operai Vós por mim, ó Jesus, e então é justo o meu agir, santificado o meu trabalho, santificado também o meu repouso. Penetrai todo o meu ser, enchei toda a minha existência, para que em mim se possa ler o Vosso grande amor.

10 O nome de Jesus pode ser usado sozinho ou ligado a uma frase mais ou menos curta. Entre os cristãos do Oriente, a forma mais difundida é: «Senhor Jesus Cristo, tende piedade de mim!» Mais simples ainda: «Jesus Cristo» ou «Senhor Jesus». A forma mais breve da invocação é só o nome «Jesus».

11 A oração é acção; quem reza é no mais alto grau activo. De nenhuma oração isto vale mais do que da oração de Jesus. A invocação do nome, praticada correctamente, aproxima cada um mais do seu trabalho; cada um se torna mais competente na sua acção e, ao mesmo tempo, não isolado dos outros, mas unido a eles. Torna-se mais sensível às suas angústias e preocupações, como nunca antes. A oração de Jesus faz de cada um um «homem para os outros». (Hinführung zum Herzensgebet, p. 72)

12 Schule des Herzensgebetes, Die Weisheit des Starez Theophan, Salzburg 1985.

Tudo o que fizerdes, por palavras ou por obras, fazei-o em nome do Senhor Jesus, e dai graças a Deus Pai por Ele. Cl 3,17

O tempo da vida é tempo de graça

A salvação que Deus quer conceder-nos já nesta vida está sempre ligada ao momento certo, que nunca mais volta. Pois assim fala o Senhor: No tempo da graça, Eu te atendi. No dia da salvação, Eu te ajudei. (Is 49,8)

Os nossos anos são como taças de cristal que Deus nos empresta. Nós, porém, devemos enchê-las e devolvê-las cheias às mãos de Deus, que as guarda para nós por toda a eternidade.

  • Ofereçamos a Deus, no início do dia, o primeiro instante, e encaminhemos o nosso trabalho diário para Aquele que é Senhor de todo o tempo e Pai da eternidade: Tudo para a honra do meu Deus!
  • Felizes todos os que se colocam diariamente, pelo sinal da cruz e pelo exercício da oração do coração, sob a protecção e o abrigo do amor de Deus.
  • Felizes os pais que se dão tempo para dar aos seus filhos o exemplo da oração, a fim de lhes ensinar o diálogo com Deus. Terão alegria com eles.
  • Felizes os jovens que, pelo contacto com Jesus, O guardam nos seus corações e, pela mão materna de Maria, avançam pela vida resplandecentes por Ele. A sua oração diz: Tornai-me mais semelhante a Vós! Fazei repousar sobre mim o Vosso brilho e fazei de mim uma irradiação do bem para o meu ambiente.

Ainda uma coisa quero recomendar aos meus queridos filhos: que queiram manter sempre aberto ao Salvador o seu coração e nunca o deixem afastar-se por receio diante Dele. Todos pecamos, porque somos homens; mas, se não nos voltarmos com confiança para Cristo, a quem iremos, e em quem confiaremos?

Extraído das últimas exortações de Friedrich Leopold Stolberg (1750–1819) aos seus filhos

Pedir e agradecer em nome de Jesus

No Evangelho de João, Jesus promete-nos em vários lugares que atenderá os nossos pedidos, quando recorrermos ao Seu nome. E aquilo que pedirdes em Meu nome, fá-lo-ei. (Jo 14,13)

Quantas vezes, porém, já pedimos e, segundo o nosso juízo humano, aparentemente não fomos atendidos? Mas, se formos sinceros, devemos perguntar-nos: pedimos realmente em nome de Jesus? Isto é: colocámos com Jesus a nossa vontade na vontade do Pai? Os discípulos, em todo o caso, tiveram de ouvir a palavra de Jesus: Até agora nada pedistes em Meu nome. (Jo 16,23) E conhecemos um pouco os pedidos dos Apóstolos, que pensavam em reinos terrenos e queriam fugir ao sofrimento. Se o nosso pedir vai no sentido de não querermos outra coisa senão que a vontade de Deus e as Suas promessas se cumpram plenamente em nós, então a mais pequena oração e o pedido mais discreto são atendidos. E é esta a confiança que temos Nele: se Lhe pedirmos alguma coisa que esteja de acordo com a Sua vontade, Ele escuta-nos. (1 Jo 5,14) Deus anseia profundamente por cumular-nos com os Seus dons. E que dom poderia ser maior do que a Sua vontade divina e santíssima? Não nos cansemos, por isso, de louvar a Deus, de Lhe pedir a Sua ajuda e a Sua graça e de Lhe agradecer de todo o coração. Pois cada agradecimento é como um novo pedido, pelo qual recebemos ainda outras graças. Neste sentido, o Apóstolo Paulo recomenda-nos: Em todas as circunstâncias, em oração e súplica, com acção de graças, apresentai a Deus os vossos pedidos. (Flp 4,6)

Abbá, querido Pai, atendei-me por amor do Nome de Jesus, Vosso amado Filho!
No instante em que o espírito humano se põe em movimento para orar, a graça divina visita-o. São Geronta Porfírio
Cristo cura um cego

Cristo cura um cego

Cura e libertação no nome de Jesus

Para nos fortalecer na fé e nos proteger do mal, o célebre exorcista Padre Gabriele Amorth deixou por escrito muitas das suas experiências: Hoje existe um grande número de sacerdotes e até bispos, relata o Padre Amorth, que já não crêem no demónio nem no exorcismo. Quando se lhes diz que Jesus curou numerosos possessos, respondem que o termo «possesso» é uma expressão derivada da linguagem e da cultura da época, que designava como possessos do demónio, aqueles que na verdade eram apenas doentes. Contudo, o Evangelho distingue muito claramente os dois estados: Jesus cura os doentes e liberta os atormentados dos demónios.

Assim, o Senhor ressuscitado confere dois poderes diferentes: Por meio dos que chegaram à fé, acontecerão estes sinais: em Meu nome expulsarão demónios […] e os doentes, sobre os quais imporão as mãos, ficarão curados. (Mc 16,17)

Não só os exorcistas nomeados pelo bispo podem libertar as almas atormentadas da influência demoníaca, mas também todos aqueles que crêem com toda a entrega no nome de Jesus, como diz o Senhor no Evangelho. De muitos santos sabemos que a sua união com Cristo afastava o mal. Pensemos apenas em São Bento ou em Santa Catarina de Sena; pois é sempre o próprio Jesus que expulsa Satanás. Padre Amorth repetia mil vezes: Com temor e tremor invoco suplicante o Vosso santo Nome, para que me concedais uma fé firme e o poder de atacar este demónio com segurança e em fidelidade ao Vosso mandamento, e de o expulsar na força do Vosso braço. Por isso Vos peço em Vosso nome, Jesus Cristo, Senhor e Deus nosso …

O santo Cura d'Ars (São João Maria Vianney)

O santo Cura d'Ars (São João Maria Vianney)

Padre Amorth explica ainda: O poder do inimigo permaneceu sempre o mesmo, pois o demónio tem sempre o mesmo poder. Mas o que aumentou enormemente é o número das portas que se lhe abriram para entrar: a magia, o ocultismo, o espiritismo, também a vida em pecado grave. Ou pense em todas as pessoas que se entregam a Satanás.

Distingue, a este respeito, duas categorias de vítimas dos demónios: por um lado, aquelas que, sem culpa própria, por causa do seu amor a Deus, suportam perturbações malignas até à possessão expiatória, como o santo Cura d'Ars ou Santa Mirjam de Abellin, mas também pessoas que se tornam vítimas inocentes por causa de maldições; por outro lado, aquelas que, por suas próprias faltas, se entregam ao poder dos demónios, seja por permanecerem em pecado grave, como, por exemplo, Judas, seja por práticas ocultas. Por isso, ensina o Padre Amorth, os meios mais importantes na luta contra o demónio são: a Santa Confissão, a Santa Missa, a Santa Comunhão, a adoração eucarística, os Salmos e a oração do Rosário. Só quando estes meios se esgotaram é que, como exorcista, recorria às orações oficiais, que têm por fim expulsar Satanás em nome de Cristo. Calculando por alto, realizei mais de setenta mil exorcismos, e fiquei sempre tocado por grande compaixão, pois encontrei casos de um sofrimento imensurável. Embora o exorcismo seja um serviço sacerdotal muito exigente, é também uma tarefa gratificante, pois o sacerdote vê como, em nome de Jesus, são libertadas pessoas que nenhum médico conseguiu curar. Aqui podemos lembrar as palavras da Sagrada Escritura: Dele emanava um poder que a todos curava. (Lc 6,19)13

Se tiverdes um grande amor, e se esse amor vos impelir à oração, então as ondas do vosso amor derramar-se-ão sobre aquele por quem rezais, e nele operarão e serão em volta dele um escudo protector. Assim o influenciais e o conduzis para o bem. Quando Deus vê o vosso esforço, concede-vos a Sua graça em abundância, assim como àquele por quem rezais. São Geronta Porfírio

Oração de cura e de protecção

Senhor Jesus Cristo, agradecemos-Vos o Vosso amor por nós. Abrigai-nos a todos nas Vossas Chagas e concedei-nos a Vossa salvação. Senhor, pedimos-Vos que nos marqueis com o Vosso selo e com o de Maria, para que possamos ser preservados de todos os ataques do mal e de toda a desgraça. Das maldições, imprecações, possessão, melancolia, depressões e angústia – libertai-nos, ó Senhor!

Vós dizeis-nos sempre de novo: Não temas, Eu estou contigo. Por isso não precisamos de ter medo.

Pedimos-Vos, ó Senhor, que, pela intercessão da Santíssima Virgem Maria, nos concedais a libertação de toda a maldição e imprecação, e nos alegreis em todo o tempo com a Vossa paz. Senhor Jesus Cristo, Vós estais cheio de amor pelos homens e tendes todo o poder no Céu e na terra. Tocai-nos com o Vosso amor curador. Curai tudo o que no nosso coração e na nossa alma está ferido e chagado. Curai todas as recordações da nossa vida que nos magoam. Curai todas as feridas que outros homens nos infligiram. Curai tudo o que está ferido e chagado. Ponde as Vossas mãos traspassadas e curadoras sobre todas as nossas feridas da alma e do corpo, até que estejam completamente curadas. Senhor Jesus Cristo, Vós conheceis também todas as doenças do corpo. Tocai-as com a Vossa força curadora, com o Vosso calor curador, e tornai saudáveis todos os nossos órgãos que estão doentes. Vós sois, de facto, o Salvador do mundo inteiro!

Pai do Céu, em nome de Jesus, Vosso Filho, pedimos-Vos que nos concedais em abundância o Vosso amor paterno, e que sintamos já agora este amor também no coração. Ámen.14

13 Cf. Triumph des Herzens, 26.º ano (I), 2019, n.º 152.

14 Esta oração livremente formulada do Pároco Klaus Müller (1946–2001) foi transcrita posteriormente. A sua vida foi a de um sacerdote de vida santa. Por causa da sua oração e da sua intercessão aconteceram muitos milagres. Possuía muitos carismas, que concedia em abundância aos que pediam ajuda. Para protecção contra todo o mal e para um futuro guardado em Deus, marcava desde 1994, com o selo de Deus na fronte, todas as pessoas que lho pediam.

Crucificação de Cristo com Maria e João

Crucificação de Cristo com Maria e João

O tesouro escondido

Se pudéssemos atribuir a nós mesmos todos os actos heróicos dos eleitos, todos os sofrimentos dos mártires, as virtudes e os méritos de todos os santos que viveram e que viverão até ao fim dos tempos, sim, se pudéssemos chamar nossos as virtudes e os méritos da Santíssima Virgem, tudo isso não seria senão um grão de areia em comparação com um único oferecimento de Jesus!

Feliz, mil vezes feliz, a alma que encontrou Jesus e sabe servir-se Dele! Com Jesus ela tem tudo. Ele lhe basta.

Isto não quer dizer, certamente, que a veneração dos santos seja inútil; pois, quando Cristo coroa os méritos deles, coroa apenas os Seus próprios dons. E quando nós oferecemos os mesmos a Deus, oferecemos-Lhe apenas os méritos do Seu próprio Filho.

Alegremo-nos, pois, por oferecer a Deus Pai aquilo que «é de Jesus nos santos»; pois isso é o que agrada tanto ao Pai nos santos e o que constituirá a sua glorificação eterna. A Santíssima Virgem Maria ocupa uma posição especial na hierarquia dos santos, porque esteve unida a Jesus de modo mais inseparável do que todos os outros. Quando dizemos: Maria! ela responde: Jesus! Quando vamos a Maria, ela conduz-nos a Jesus. Maria olhava sem cessar para Jesus, unia-se a Jesus, oferecia-se a Jesus. Jesus era tudo para ela, todo o conteúdo da sua vida. Maria também nos ensinará a fazer de Jesus o nosso «Tudo», se lho pedirmos.

Mas o que quer dizer, afinal, oferecer Jesus, servir-se Dele? Como é que acontece que, mesmo em muitos livros de devoção, esta ideia mal é aflorada?

Oferecer Jesus! Isto significa apresentá-Lo ao Seu Pai em reparação, com as palavras: Vede, não sou senão fraqueza e miséria; mas ofereço-Vos a força, a santidade, a pureza, as virtudes de Jesus. Sou frio, mas, se eu tivesse todo o amor dos Serafins, que poderia dar-Vos que fosse digno de Vós? Pai Celeste, em compensação da minha frieza ofereço-Vos o amor de Jesus. Acabo de cair, cometi uma falta: ofereço-Vos o sofrimento e o Sangue de Jesus para a minha purificação e em reparação. Estes e aqueles maus movimentos impõem-se-me contra a minha vontade; ofereço-Vos, em troca, os actos contrários de Jesus.

Desta forma, até as nossas fraquezas servirão para nos enriquecer, pois nos dão ocasião de fazer este oferecimento infinito, em que talvez não tivéssemos pensado se não nos tivesse acontecido o mal.

Oferecer Jesus significa também oferecê-Lo como santificador do bem. Por este oferecimento, aqueles que não só unem as suas mínimas acções às de Jesus, mas as fundem, por assim dizer, com as Suas, recebem de volta as suas pequenas moedas transformadas em peças de ouro.

Se, por exemplo, nos é exigido um acto de obediência, aproveitamos os nossos actos de obediência como ocasião para oferecer ao Pai Eterno os actos de obediência de Jesus um a um, e dirigimos toda a nossa atenção a executá-los com a maior perfeição e fidelidade possível, para assim Lhe recordar o Seu agrado divino. Se se nos oferece uma ocasião de humilhação, dizemos: Pai Celeste, ofereço-Vos as humilhações de Jesus. No sofrimento não olhamos para nós, mas oferecemos os sofrimentos de Jesus.

Quão ricos nos tornaríamos se soubéssemos unir-nos assim a Jesus em tudo e oferecê-Lo ao Pai Celeste! Façamos sobretudo o oferecimento de Jesus na Santa Comunhão. Ele dá-Se-nos apenas para nos enriquecer e para nos permitir devolvê-Lo e oferecê-Lo ao Seu Pai, e através deste oferecimento alcançar para nós dois bens infinitos: poder apresentar a Deus um dom digno Dele, e atrair assim para nós um olhar do Seu amor e do Seu agrado divino.

Antes da Santa Comunhão oferecemos ao Pai Eterno o sofrimento de Jesus, para purificação da nossa alma e em reparação por todas as nossas infidelidades. E depois da Santa Comunhão queremos oferecer de novo Jesus como um tesouro que se teme manchar e que se quer entregar intacto àquele para quem está destinado.

A alma que assim encontrou Jesus encontrou a paz, e quanto mais miserável se vê, tanto mais se alegra com isso; pois assim contribuirá cada vez mais para a glorificação eterna da infinita misericórdia de Deus.15

O Imaculado Coração de Maria

O Imaculado Coração de Maria

Pai Celeste, pelo Imaculado Coração de Maria ofereço-Vos Jesus, Vosso Filho muito amado, e a mim mesmo Nele, com Ele e por Ele, segundo todas as Suas intenções e em nome de todas as criaturas. Ámen. (Oração de oferecimento)16
A vida vale tanto quanto os actos de amor a Deus que a preenchem. Quando a alma entrega os seus actos à Imaculada como pertença dela, esta oferece-os a Deus como seus. Desta forma os nossos actos de amor a Deus recebem toda a sua beleza. São Maximiliano Maria Kolbe

15 Imprimatur: Friburgi Helv. 28.12.1959, L. Weber, vic. gen.

16 Ibid.

Papa João Paulo II

Papa João Paulo II

Nos passos do Apocalipse

Poucas semanas antes da sua eleição papal, o Papa João Paulo II proferiu as palavras proféticas:

Estamos diante da maior batalha que a humanidade alguma vez viu. Não creio que a comunidade dos cristãos a tenha compreendido por completo. Hoje estamos diante do combate final entre a Igreja e a anti-Igreja, entre o Evangelho e o anti-Evangelho.17

17 Haverá uma Igreja falsificada. Uma Igreja será a Igreja de Cristo, e o falso profeta erguerá a outra. A Igreja falsa será mundana, ecuménica e global. Tratar-se-á de uma aliança frouxa de igrejas e religiões. […] A Igreja falsa estará esvaziada de todo o conteúdo divino; será o corpo místico do Anticristo. (Arcebispo Fulton Sheen, Der Kommunismus und das Gewissen der westlichen Welt, Berlin 1950)

A Mulher vestida de sol

A Mulher vestida de sol

A Igreja do Redentor e o dragão

Nesta vida passageira encontramo-nos num combate espiritual, que, por um lado, é acompanhado com a máxima atenção por Deus e por inúmeros Anjos e Santos do Céu, e, por outro, por Satanás e todo o seu séquito. Só com a diferença decisiva de que o Céu empenha tudo para nos ganhar para o amor eterno, e o inferno quer precipitar-nos no ódio eterno.18

18 Como este inimigo é um espírito puro, incorpóreo, que nenhuma actividade cansa, é tão zeloso na perseguição que a começa desde o primeiro instante da existência de um homem no seio materno e não desiste da luta antes de a alma se separar do corpo. […] Serve-se para isso dos nossos sentidos, das faculdades da alma, das inclinações e das paixões. «Minha filha, é impossível descrever a inveja, a maldade e a astúcia de Lúcifer e dos seus demónios contra os homens. […] Assim como o Céu se alegra com cada obra boa, assim também há alegria entre os espíritos maus no inferno quando os homens pecam.» (Irmã Maria de Jesus de Ágreda, Leben der Jungfrau und Gottesmutter Maria, vol. 4, p. 192, p. 209–210)

No Apocalipse, São João descreve o combate de Satanás19 contra o povo de Deus como uma luta entre um dragão vermelho como fogo (Ap 12,3), ao qual vem em auxílio uma besta monstruosa que sai do mar (Ap 13,1), com dez chifres e sete cabeças, e um segundo animal (Ap 13,11) que sobe da terra, tem dois chifres como um cordeiro, mas fala como um dragão. Eles combatem contra o povo de Deus, que é descrito do seguinte modo:

Apareceu no céu um grande sinal: uma mulher vestida de sol, com a lua debaixo dos pés e, sobre a cabeça, uma coroa de doze estrelas. Ap 12,1

A Igreja, o povo de Deus, é simbolizada pela Santíssima Virgem Maria, Mãe da Igreja. Aqui prossegue o fio condutor que vem do início da Bíblia:

Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a descendência dela. Gn 3,15

19 Quando os Anjos manifestaram a sua vontade, isso valeu para sempre. Com o seu entendimento viram todas as consequências e consentiram nelas. A tradição considera que o orgulho em Lúcifer [Satanás] e nos seus seguidores era tão poderoso que preferiram o eu – «Eu sou Eu», disse Lúcifer –, e então, no meio desta prova, disse um dos anjos de categoria mais baixa, São Miguel, que pertencia ao penúltimo coro: «Qui ut Deus?» – «Quem é como Deus?» E com esta palavra humilde São Miguel precipitou Lúcifer e os seus seguidores do Céu para o abismo. (Christus vinCit, Bispo Athanasius Schneider em conversa com Diane Montagna, Kißlegg, 2020, p. 416)

Este combate entre Satanás e Maria trava-se na terra, em representação, através da Igreja e das forças hostis a Deus e à Igreja: o dragão vermelho sob a forma do comunismo marxista, e as duas feras, a Maçonaria e a maçonaria eclesiástica que se infiltrou na Igreja.20 Esta última é a besta com dois chifres semelhante a um cordeiro, que penetrou até aos cumes da Igreja.21 O seu objectivo principal é a destruição da Igreja Católica Romana através de um falso ecumenismo, com o fim de fundar uma Igreja universal formada pela união de todas as confissões cristãs.22

20 São Maximiliano Maria Kolbe foi um dos mais decididos adversários da Maçonaria e do sionismo internacional, porque reconheceu claramente a sua táctica diabólica na luta contra a Igreja Católica: O inimigo principal, o maior e o mais poderoso da Igreja é a Maçonaria. (Maria – Der Eckstein, de Dr. med. Hans Salmen, Lauerz 1995, p. 51.)

21 Já no ano de 1846, a Mãe de Deus, em La Salette, chorou sobre a situação no interior da Igreja e a grande apostasia da fé, de que falou aos dois pastorinhos: Os chefes, os líderes do povo de Deus, negligenciaram a oração e a penitência, e o demónio obscureceu o seu entendimento. […] O número de sacerdotes e religiosos que se separam da verdadeira religião será grande; entre essas pessoas encontrar-se-ão até bispos. […] A Igreja passará por uma crise terrível. Como a santa fé em Deus caiu no esquecimento, cada um quer dirigir-se a si mesmo e colocar-se acima dos seus semelhantes. (Ibid., p. 150–153)

22 Este estado lamentável foi também visto pela beata Ana Catarina Emmerich (1774–1824): Constroem uma Igreja estranha, uma verdadeira comunidade de ímpios! O redil arde por todos os lados! E os pastores! Vi uma enorme multidão de pessoas ocupadas em derrubar a Basílica de São Pedro. Vi, porém, também outras que a reparavam de novo. […] Estavam sobretudo presentes muitos membros de seitas e apóstatas. Como por prescrição e regra, demoliam-na pessoas que traziam aventais brancos debruados de fita azul, com bolsos, e tinham colheres de pedreiro enfiadas no cinto. […] Para meu horror, também havia sacerdotes católicos entre estes maçons. (Ibid., p. 28)

O seu objectivo principal é a eliminação do Santo Sacrifício da Missa, a abolição do Santíssimo Sacramento do Altar, no qual Jesus Cristo está presente, oculto e velado, com a Sua divindade e humanidade.23

A Eucaristia é o pára-raios divino, que desvia os raios da justiça divina. Assim como uma mãe terna e amorosa aperta o seu filho contra o peito, enlaça-o com os braços e o protege com o seu corpo, para o salvar da ira de um pai irritado, assim Jesus multiplica a Sua presença em toda a parte. Cobre o mundo e abraça-o com a Sua benigna presença. São Pedro Julião Eymard

23 Cf. Der letzte Kampf zwischen Licht und Finsternis, de Paul Josef Jakobius, Altötting 2010.

A marca da besta

Pequenos e grandes, todos eram obrigados a fazer-se marcar na mão direita ou na fronte, e ninguém podia comprar ou vender sem ter a marca, que é o nome da besta ou o número do seu nome. […] O seu número é seiscentos e sessenta e seis (666). Quem adorar a besta e a sua imagem e receber a marca na fronte ou na mão, terá de beber o vinho da ira de Deus. […] Aqui deve manifestar-se a perseverança dos santos, que se mantêm firmes nos mandamentos de Deus e na fidelidade a Jesus. Ap 13,16-18; 14,9-12

Já há mais de dois mil anos o apóstolo São João advertiu contra uma vigilância total da humanidade pela besta e pelo seu falso profeta, cujo nome é o número bíblico 666, aquele que também é conhecido como Anticristo. Quem, à luz do Espírito Santo, pergunta com coração sincero pelo sentido desta passagem profética, pode certamente descobrir a verdade à vista dos acontecimentos mundiais. Pois o plano para impor uma nova ordem mundial (novus ordo saeculorum)24, marcada por leis e ideologias anticristãs, ligada a uma vigilância cada vez maior da humanidade e à limitação dos seus direitos fundamentais, revela-se cada vez mais claramente.

Se nos perguntarmos por que o mal pôde crescer de forma tão ameaçadora, basta lançar um olhar à história da salvação. Logo que o homem se separa de Deus e se enreda no pecado grave, abandona a zona de protecção de Deus, garantida pelos mandamentos, e entrega-se às maquinações do mal e, com isso, à sua desgraça. Já no Antigo Testamento Deus se queixa dolorosamente pela boca do profeta:

Ah, se tivesses atendido aos Meus mandamentos! Então a tua paz seria como um rio, e a tua felicidade como as ondas do mar. Is 48,18

24 A expressão novus ordo saeculorum é o código ideológico e programático do governo de um só mundo. A Maçonaria formula como seu objectivo essencial e último a instauração de um novus ordo saeculorum, uma nova ordem social e política à escala global, para impor aos homens, de forma ditatorial, a indiferença religiosa e o sincretismo (mistura de diferentes religiões), a perversão moral e uma política radicalmente anticristã e sobretudo anticatólica. Tal nova ordem social visa, em última análise, a veneração e a adoração do homem, a forma mais radical do ateísmo. (Christus vinCit, p. 285)

A maioria das pessoas no antigo Ocidente cristão ficou, nas últimas décadas de prosperidade, cega para a fé verdadeira e criou para si deuses próprios: bens, dinheiro, prazer, o eu egoísta25 e a interminável série de vícios e pecados ligados a estes.26 Depois da sua conversão, a famosa dentista Gloria Polo declarou: Quando pecamos, fazemos compras no supermercado do diabo e temos de pagar caro essa mercadoria.

25 São Tomás de Aquino explica na sua summ. theol., I-II,q.77,a.4: O amor desordenado de si mesmo é a origem de todo o pecado. E para Santa Catarina de Sena, o amor-próprio é a fonte de todo o mal e a ruína de tudo o que é bom. A luta contra este vício fundamental atravessa toda a sua obra escrita. O amor-próprio domina onde não se pratica o amor a Deus nem o amor ao próximo, e o eu está no centro (egocentrismo, egoísmo).

26 Sobre os desvios do nosso tempo escreve Gabriele Kuby: Dirigem-se contra a natureza do homem e contra a família. As crianças são evitadas; as crianças são mortas antes do nascimento, se não forem desejadas; as crianças são produzidas em laboratório, se forem desejadas; as crianças são defraudadas da sua origem; as crianças são congeladas como embriões e consumidas pela investigação; as crianças são gestadas num útero alugado; as crianças são compradas por casais do mesmo sexo e criadas por eles; as crianças são entregues, desde a idade de lactente, a cuidados colectivos de terceiros; as crianças são sexualizadas já no jardim-de-infância; as crianças são entregues à pornografia; as crianças tornam-se vítimas do divórcio; as crianças são privadas da sua liberdade. Uma sociedade tão enfraquecida não tem futuro – a não ser que volte a Deus. (Kirche heute n.º 11, 2020, p. 10-12)

Contudo, as consequências do pecado (o sofrimento) atingem também os inocentes que, como Job, os Santos Inocentes de Belém e muitos outros, estão associados de modo especial à obra da redenção, juntamente com o Cordeiro inocente de Deus.

Se nos perguntarmos o que podemos fazer, neste tempo extremamente difícil, por nós e em representação de toda a humanidade, a Sagrada Escritura aconselha-nos aquilo que mais alegra a Deus:

Conversão, oração, penitência! Penitência quer dizer aceitar todas as pequenas cruzes diárias e também realizar o trabalho em espírito de penitência. Palavras da Mãe de Deus em Montichiari, 1947
Se o Meu povo, sobre o qual foi invocado o Meu nome, se humilhar e orar, Me buscar e se converter dos seus maus caminhos, então Eu o ouvirei do céu, perdoarei os seus pecados e trarei a cura à sua terra. 2 Cr 7,14

Põe-se também a questão de saber o que acontece aos fiéis que não se submetem às legislações anticristãs e ditatoriais e, por isso, são sancionados na vida social?

A Bíblia dá a resposta: Vai, mede o templo de Deus e o altar e conta os que ali adoram! O pátio que está fora do templo deixa-o de fora e não o meças, pois foi entregue aos pagãos. Eles pisarão a Cidade Santa durante quarenta e dois meses. (Ap 11,1-2)

Que o templo seja medido e os adoradores contados significa que, na perseguição dos últimos tempos, a comunidade cristã, o pequeno rebanho, os restantes descendentes de Maria, estará sob a protecção especial de Deus. (Cf. Ap 12,17)

Muitos sinais indicam também que, neste tempo, acontecerão milagres semelhantes aos que os israelitas puderam experimentar na sua saída do Egipto.27

Alegrem-se todos os que em Ti confiam e exultem sem cessar. Protege todos os que amam o Teu nome, para que Te louvem. Sl 5,12

27 Cf. Der letzte Kampf zwischen Licht und Finsternis.

Quando estiveres doente e tiveres dores, quando fores atormentado por pensamentos pecaminosos e dúvidas, então pronuncia com força o nome de Jesus ou pensa Nele. Em perigos, no susto, em casa ou no caminho, onde quer que estejas, pronuncia o nome de Jesus, o nome do nosso Redentor, não só com a boca, mas também com o coração e com reverência, pois este nome dá força. São Lourenço Justiniano

No exército de Nossa Senhora

A Mulher vestida de sol, como é descrita no Apocalipse, avança, como arquétipo e Mãe da Igreja, à frente do exército contra as forças hostis. Com amor maternal protege os seus filhos, que ainda se encontram no meio do tempo de prova desta vida terrena. Mas não devemos esquecer que Maria, nesta grande batalha em que está em jogo a salvação de tantas almas imortais, também precisa da nossa colaboração.

Em Setembro de 1961, o Postulador do processo de beatificação de Jacinta e Francisco trouxe uma mensagem importante da Ir. Lúcia, que visitou com permissão do Santo Padre no Carmelo de Coimbra. A Ir. Lúcia estava muito entristecida e falou da profunda tristeza da Mãe de Deus, porque tão poucos se preocupam com a sua mensagem de 1917. Mesmo os fiéis observam pouco as suas instruções, e os maus continuam no caminho da perdição. Padre, diga a todos o que a Mãe de Deus me disse muitas vezes: Muitas nações desaparecerão da face da terra. A Rússia será o flagelo que Deus escolhe para castigar os homens, se nós não obtivermos, com a nossa oração e os sacramentos, a graça da conversão.28 Além disso, a Mãe de Deus explicou à Ir. Lúcia que os últimos remédios dados ao mundo são o Rosário29 e a veneração do seu Imaculado Coração. Nestas palavras da Mãe de Deus volta a brilhar de novo a mensagem central de Fátima: Não ofendam mais a Nosso Senhor, que já está muito ofendido. (13 de Outubro de 1917)

O Rosário produz o renascimento da virtude e das obras de piedade. Por ele, às almas é concedida a plenitude das misericórdias divinas. Ele converterá os corações, e eles começarão a desprezar as coisas terrenas, a amar as celestes e a fazer rápidos progressos. Muitas almas serão salvas pelo Rosário. Das promessas da Mãe de Deus ao beato Alano da Rocha
É o Meu desejo mais ardente que a veneração e a devoção ao Imaculado Coração de Maria se difundam, porque este Coração é o íman que atrai as almas para Mim, o foco de fogo que envia por toda a terra os raios da Minha luz e do Meu amor, e a fonte inesgotável que faz descer sobre a terra as águas vivas da Minha misericórdia. Palavras de Nosso Senhor Jesus Cristo à Ir. Lúcia

28 Sabe, minha filha, que todos os sacramentos confiados à santa Igreja, especialmente a Santa Eucaristia, são armas poderosas para frustrar as ciladas do inferno e para pôr em terror todos os demónios. Foi precisamente por isso que o meu santíssimo Filho os instituiu. Mas, se hoje as almas já não experimentam esta força e este efeito, a razão é que lhes falta o devido respeito e a estima com que deveriam tratá-los e recebê-los. Fica certa: aquelas almas que recebem os santos sacramentos com devoção e reverência são terríveis para os espíritos infernais. Possuem um grande e poderoso domínio sobre Satanás. (Irmã Maria de Jesus de Ágreda, Leben der Jungfrau und Gottesmutter Maria, vol. 4, p. 351)

29 Quando o Cardeal Kracziwitz, em 1981, esteve em audiência com o Papa João Paulo II, com alguns sacerdotes e fiéis, o Santo Padre tirou o terço e disse: «Este é o exorcismo que também os leigos podem rezar.» Os presentes ficaram surpreendidos, e então o Papa disse: «Para que não haja dúvida: Eu confiro ao Rosário o poder do exorcismo!»

Maria, Rainha dos Santos Anjos

Maria, Rainha dos Santos Anjos

À Rainha dos Santos Anjos

Augusta Rainha dos Céus e soberana Senhora dos Anjos, Vós que desde o princípio recebestes de Deus o poder e a missão de esmagar a cabeça de Satanás, nós Vos pedimos humildemente que envieis as legiões celestes, para que, sob as Vossas ordens e pelo Vosso poder, persigam os demónios, os combatam por toda a parte, reprimam a sua audácia e os precipitem no abismo. «Quem é como Deus?» Ó boa e terna Mãe, Vós sereis sempre o nosso amor e a nossa esperança! Ó divina Mãe, enviai os Santos Anjos para nos defenderem e repelirem para longe de nós o cruel inimigo. Santos Anjos e Arcanjos, defendei-nos e guardai-nos! Ámen.30

30 A 13 de Janeiro de 1864, o fundador da Congregação das Servas de Maria, P. Cestac (1801–1868), foi subitamente abalado, como por um raio de claridade divina, no santuário de Nossa Senhora do Refúgio, em Anglet (Pirenéus). Viu os demónios espalhados por todo o mundo, causando por toda a parte danos indizíveis. Ao mesmo tempo, teve uma visão da Santíssima Virgem Maria, que lhe disse que os demónios estavam de facto desencadeados em todo o mundo. Por isso, era chegada a hora de a invocar como Rainha dos Anjos e de lhe pedir que enviasse legiões de santos Anjos para combater os poderes do mundo subterrâneo. «Minha Mãe», disse o sacerdote, «sois tão boa, não poderíeis enviá-los sem que se peça?» – «Não», respondeu a Santíssima Virgem, «a oração é uma condição imposta por Deus, mesmo quando se quer receber graças.» – «Se assim é, minha Mãe, ensinar-nos-íeis como se deve rezar?» Recebeu então da Santíssima Virgem a oração «Augusta Rainha dos Céus» e difundiu-a por todo o mundo, depois da aprovação episcopal. Esta oração, acompanhada de graças extraordinárias, foi recomendada pelo Papa Pio IX e enriquecida por Leão XIII e Pio X com a concessão de uma indulgência plenária.

Se souberes que esta vida terrena é mais um vaguear sobre ondas, vento e tempestade do que um caminhar em terra firme: não desvies os olhos da luz desta estrela, para não te afundares nas tempestades.

Quando os ventos das tentações sopram com força, quando és empurrado para os rochedos das tribulações, olha para a estrela, invoca Maria! Quando as ondas do orgulho, da ambição, da calúnia, do ciúme te arremessam para o alto – olha para a estrela, invoca Maria!

Quando a ira, a avareza ou a concupiscência da carne abalam a tua alma – olha para Maria!

Quando o peso dos pecados te oprime e a vergonha da consciência te envergonha, quando o rigor do juízo te assusta, quando ameaças ser engolido por uma tristeza e um desespero profundos, pensa em Maria!

Se ela te segura, não cairás. Se te protege, nada temas. Se te conduz, não te cansarás. Se te é favorável, chegarás à meta e experimentarás tu mesmo como é verdade o que se diz: E o nome da Virgem era Maria – Estrela do Mar.

Santo Bernardo de Claraval
O Cordeiro sobre o monte Sião

O Cordeiro sobre o monte Sião

O Reino do Cordeiro

Vi, então, o Cordeiro de pé sobre o monte Sião e, com Ele, cento e quarenta e quatro mil, que tinham gravado na fronte o Seu nome e o nome do Seu Pai. Ap 14,1

O número 144.000 simboliza a totalidade dos que são salvos e remete para aqueles cristãos que seguem o Cordeiro por onde Ele vai, isto é, que levam uma vida de seguimento de Cristo. 12 é o número das tribos de Israel, 1000 o número da plenitude. Na fronte deles, João viu escrito o nome do Seu Pai, no lugar onde os servos da besta traziam a marca da besta. O nome do Cordeiro, Jesus, aqui contemplado, cujo número é 888, está em oposição aos adoradores da besta, que tinham o número 666 na fronte. Como nome do Pai, João terá visto na fronte deles o nome Javé (Aquele que É). Os nomes na fronte são símbolos da entrega dos cristãos a Deus e a Cristo. O selo impresso é, pois, o acto do baptismo aceite com fé, que por isso marca o pensamento (a fronte). Por isso alude-se aqui também ao baptismo cristão, que se realiza em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. (Mt 28,19)

O Baptismo de Cristo no Jordão

O Baptismo de Cristo no Jordão

São os que não se mancharam com mulheres, porque são virgens. Seguem o Cordeiro por onde Ele vai. Só eles, entre todos os homens, foram resgatados como primícias para Deus e para o Cordeiro. Ap 14,4

O termo «prostituta» designa, no Apocalipse, a Roma idólatra. Por isso, o termo contrário «virgem» designa o povo cristão fiel, que um dia se «desposará» com Cristo. «Virgem» tem aqui, pois, um sentido espiritual: pretende-se designar todos os cristãos, casados ou solteiros, que, como primícias quanto à qualidade e não ligados ao tempo, vivem em entrega fiel à sua futura «união com Deus», sem cometer, por olhares de lado ou compromissos, «fornicação» com os deuses pagãos. (Cf. Dt 5,6) Não namoriscam com a falsa Igreja ecuménica, nem se deixam influenciar por correntes esotéricas ou por outras religiões.31

31 Cf. Die Offenbarung des Johannes, de Dr. Ludwig Neidhart, Augsburg 2019.

Quando a Sagrada Escritura nos promete: O nosso auxílio está no nome do Senhor, que fez os céus e a terra, (Sl 124) podemos confiar firmemente que Deus nos concederá, neste combate espiritual, a graça de Lhe permanecer fiéis e de professar com coragem a verdadeira fé católica. Quanto mais o nome de Deus é blasfemado e desonrado, tanto mais queremos glorificar o Santíssimo Nome do Senhor através de uma vida cristã e invocá-Lo com confiança.

E quando vemos ou ouvimos dizer ou fazer o mal, ou blasfemar contra Deus, bendigamos e façamos o bem, e louvemos a Deus, que é bendito pelos séculos. São Francisco

A Flecha de Ouro

Seja sempre louvado, bendito, amado, adorado e glorificado o altíssimo, digníssimo de adoração e inefável Nome de Deus, no Céu, na terra e debaixo da terra, por todas as criaturas saídas da mão de Deus, e pelo Sacratíssimo Coração de Jesus no Santíssimo Sacramento do Altar. Ámen.32

A veneração do Sacratíssimo Coração de Jesus

A veneração do Sacratíssimo Coração de Jesus

Oração indulgenciada ao Santíssimo Nome de Jesus

Bom Jesus, segundo a Vossa grande misericórdia, tende piedade de mim! Jesus clementíssimo, pelo Precioso Sangue que derramastes pelos pecadores, Vos peço: lavai-me de todas as minhas iniquidades e olhai com bondade para este pobre e indigno ser humano! Invoco o Vosso Santíssimo Nome. Salvai-me, pois, querido Jesus, por amor do Vosso Santíssimo Nome. Ámen.

32 O divino Salvador disse outrora à serva de Deus Irmã Maria de São Pedro: «A blasfémia é uma flecha envenenada que fere o Meu Coração. Quero dar-te uma Flecha de Ouro, que expie o vilipêndio e a blasfémia do Santíssimo Nome de Deus.» Depois de a Irmã Maria de São Pedro ter recebido esta oração, teve uma visão divina, em que viu o Sacratíssimo Coração de Jesus ternamente ferido por esta Flecha de Ouro. Dele jorraram torrentes de graças para a conversão dos pecadores. Modo de aplicação da oração: rezar três vezes em honra da Santíssima Trindade; indulgência parcial, 15 de Abril de 1881, extraído de: Handbuch der Erzbruderschaft vom Heiligsten Antlitz Unseres Herrn nebst dem kleinen Offizium vom Heiligsten Namen Gottes von Abbé Désiré Janvier, traduzido do francês, Tours 1887, p. 186.

Crucificação de Cristo

Crucificação de Cristo

A Paixão do Corpo Místico de Jesus

Orai pela Igreja, pelo mundo, por todos. Toda a cristandade está incluída na oração de Jesus. Se rezardes só por vós mesmos, isso significa que não sois altruístas. Mas se rezardes pela Igreja, sois vós mesmos a Igreja. Na Igreja está Cristo, unido a ela, bem como ao Pai e ao Espírito Santo. A Santíssima Trindade e a Igreja são uma só. São Geronta Porfírio

A Igreja edificada sobre Pedro é a única que Jesus fundou. E, por isso mesmo, é criticada, perseguida e atacada. Sobre este facto fala Blaise Pascal nos seus Pensées: Jesus estará em agonia até ao fim do mundo. Não devemos dormir neste tempo.

A apostasia da fé até agora é apenas a ponta do icebergue. A grande apostasia da fé virá quando o falso ecumenismo maçónico conseguir separar os fiéis do Magistério da Igreja Católica. Então estará escancarada a porta para a aparição do homem com o número 666, porque quase todos seguirão o falso Cristo e a falsa Igreja.

O Corpo Místico de Jesus sofrerá o mesmo destino que o próprio Senhor: perseguição, desprezo, crucificação, morte, mas também ressurreição. Pelo mesmo caminho segue a Igreja. Será a grande purificação do mundo, da humanidade e da Igreja, mas será também ao mesmo tempo o novo Pentecostes.33

No seu novo livro Christus vincit, o Bispo auxiliar Athanasius Schneider escreve:

Cristo no Monte das Oliveiras, confortado por um Anjo

Cristo no Monte das Oliveiras, confortado por um Anjo

A partir das circunstâncias da Paixão de Cristo podemos compreender o sentido espiritual, até místico, dos sofrimentos da Esposa de Cristo, a Igreja. A crise actual no seio da Igreja é a forma mais profunda do sofrimento, porque a Igreja não é agora perseguida, flagelada, despojada das suas vestes e escarnecida pelos seus inimigos, mas sim, em grande medida, pelos seus pastores, por muitos que são sucessores dos Apóstolos.34 […]

Quando Cristo sofreu em Getsémani, foi fortalecido por um Anjo. Este é um mistério profundo: Deus, na Sua natureza humana, quis ser consolado e fortalecido por uma criatura. Nesta enorme crise espiritual que vivemos dentro da Igreja, Cristo é consolado e fortalecido pelas almas que permanecem fiéis à fé católica genuína, pelas almas que não abandonam o Cristo sofredor, a Mãe Igreja sofredora, nem fogem.

A consolação e a força que Cristo recebeu do Anjo em Getsémani já continham todos os actos de reparação e de satisfação de todas as almas fiéis ao longo de toda a história da Igreja. Tantas almas sofrem actualmente, sobretudo nos últimos cinquenta anos, por causa da monstruosa crise da Igreja.

34 As nossas muralhas eclesiais estão encharcadas do mistério da traição … Vivemos o mistério da maldade, da traição – o mistério de Judas … Por toda a parte se insinuou o mal de um activismo ávido de eficiência … Procuramos imitar a organização das grandes empresas e esquecemos que só a oração é o sangue que corre pelas veias da Igreja … Quem já não reza, já cometeu traição. Está já pronto para todos os compromissos com o mundo: a caminho, nos passos de Judas. (Cardeal Robert Sarah, Herr, bleibe bei uns, Kißlegg 2019)

Mais preciosos são os sofrimentos ocultos dos pequenos, daquelas pessoas que o establishment eclesiástico liberal, mundano e descrente empurrou para a margem da Igreja. Os seus sofrimentos são preciosos, porque consolam e fortalecem Cristo, que na nossa actual crise na Igreja sofre misticamente. […]

Crianças, jovens, famílias, religiosos, sacerdotes, bispos e cardeais, se permanecerem fiéis a Cristo, se conservarem a fé católica sem falsificações, se viverem uma vida de castidade e humildade, então são os puros e pequenos na Igreja. As palavras seguintes de São Paulo, referidas à alma de cada um, aplicam-se exactamente à Igreja e sobretudo à Igreja dos nossos dias: Se com Ele sofremos, é para que também com Ele sejamos glorificados. (Rm 8,17)35

O vosso desejo ardente deve ser este: que o mundo seja santificado e que todos os homens pertençam a Cristo. Então entrareis na Igreja, vivereis na alegria do Paraíso, em Deus, pois a plenitude da divindade habita na Igreja. São Geronta Porfírio

35 Christus vincit, p. 440-443.

Anjo da Guarda com crianças

Anjo da Guarda com crianças

Na escola dos santos Anjos

Vou enviar um Anjo diante de ti, para te guardar no caminho e te levar ao lugar que preparei. Presta-lhe atenção e ouve a sua voz! Não lhe resistas! Ele não suportaria que vos rebeleis, porque nele está presente o Meu nome.36 Ex 23,20-22

36 O meu Anjo da Guarda pessoal foi dado só a mim e é um ser espiritual muito poderoso, que está sempre na presença de Deus e que, durante a prova dos Anjos, permaneceu fiel a Deus, quando alguns dos seus irmãos se afastaram de Deus com Lúcifer. O meu Anjo da Guarda e todo o Anjo da Guarda reconheceram Cristo no espírito de humildade e de serviço. Por isso, cada Anjo deseja ardentemente tornar-se um dia um Anjo da Guarda humilde e servidor de um ser humano. Cada Anjo sonha em inclinar-se. A sua «carreira de sonho» consiste em ser pequeno, descer e não subir, como os homens costumam desejar nos seus sonhos de carreira. (Christus vincit, p. 416, 417)

Os três pastorinhos de Fátima: Lúcia, Francisco e Jacinta

Os três pastorinhos de Fátima: Lúcia, Francisco e Jacinta

Que fazeis?

Antes de Maria aparecer em Fátima no ano de 1917, os três videntes Lúcia, Francisco e Jacinta foram preparados para esta grande graça no ano de 1916 por três visitas de um Anjo do Senhor. Na sua segunda aparição, o Anjo dirigiu às crianças, absorvidas no jogo, as palavras concisas:

«Que fazeis?» Esta pergunta «Que fazeis?» na boca do Anjo é extraordinariamente profunda e contém para cada um de nós uma grande mensagem e uma pergunta decisiva:

Que fazemos com o nosso talento da vida? Desperdiçamos este dom na caixa de areia da transitoriedade, ou tocamos diante de Deus a verdadeira canção do amor, como Maria, a Mãe de Deus, de quem se diz:

Era a minha delícia, dia após dia, brincar diante Dele … Pr 8,30

Esta é uma palavra que se estende como um arco-íris, alto por cima do céu dos nossos conceitos, e só um espírito que sabe voar alto e longe a reconhecerá com clareza. Por «brincar» podemos nós, homens, no sentido figurado, entender o agrado de Deus, o encantamento de Deus com Maria já pelo seu próprio ser diante de Deus. Ela é como um cristal que resplandece mil vezes, que em cada superfície de corte oferece uma perspectiva diferente, e que faz irromper anjos e homens em júbilo e adoração de Deus.

E se quisermos trazer esta palavra para a terra e compreendê-la correctamente, podemos dizer que aquilo que para Maria, a Imaculada, foi um «brincar», nos custa a nós, homens, um verdadeiro esforço e deveria traduzir-se para nós por: «É a nossa delícia, dia após dia, estar diante de Deus em adoração e em zelo incansável por tudo o que é bom, querido por Deus e que conduz a Deus!» Se quisermos pensar sempre só em Deus, agradá-Lo sempre com uma pequena prova de amor – sob a forma de um sacrifício suportado com alegria, sob a forma de um novo dom – e voltar sempre de novo a Ele como a bola à mão da criança, então também a nossa vida é um ser amoroso diante de Deus, um brincar da criança pela mão da Mãe Maria. Que é então o nosso agir aqui na pequena terra, medido pela eternidade, senão um brincar?

Mas Deus leva muito a sério este nosso «brincar». Deu-nos um Anjo a cada passo, para que o nosso pé não tropece, e este «brinca» diante de Deus, toca a canção da nossa vida, do nosso amor a Deus; canta por nós o Glória, o Credo, o Sanctus, o Agnus Dei e o Domine non sum dignus, toca na harpa o nosso júbilo. Cada modo do nosso ser é uma corda. Quando ela soa para Deus, o nosso Anjo leva ao nosso Senhor o nosso acto de vontade, transformado em som, como uma canção: o nosso amor, o nosso esforço, a nossa obediência, a nossa disponibilidade, o nosso sim, o nosso silêncio e o nosso perdão.

E agora mais uma vez de volta à pergunta do Anjo «Que fazeis?» e à sua missão muito concreta, dirigida a cada um de nós:

Orai! Orai muito! Os Corações de Jesus e Maria têm sobre vós desígnios de misericórdia. Oferecei constantemente ao Altíssimo orações e sacrifícios.
De tudo que puderdes, oferecei um sacrifício em acto de reparação pelos pecados com que Ele é ofendido e de súplica pela conversão dos pecadores. […] Sobretudo aceitai e suportai com submissão o sofrimento que o Senhor vos enviar.
Hei de louvar-Te de todo o coração, Senhor, meu Deus, e glorificar o Teu nome para sempre. Sl 86,12
Coros dos santos Anjos

Coros dos santos Anjos

Oração de louvor dos santos Anjos à Santíssima Trindade

Salve, eterno Soberano, Deus vivo, o que sempre foi, Juiz terrível e justo, Pai sempre bondoso e misericordioso! A Vós seja dada de novo e para sempre adoração, louvor, honra e glória, pela Vossa Filha vestida de sol, nossa Mãe admirável!

Salve, Homem-Deus imolado, Cordeiro sangrante, Rei da paz, Árvore da vida, Vós, nossa Cabeça, Porta para o Coração do Pai, eternamente gerado do Vivente, que reinais por toda a eternidade com Aquele que É! A Vós seja dado de novo e para sempre poder, glória, grandeza, adoração, desagravo e louvor, pela Vossa Mãe imaculada, nossa Mãe admirável!

Salve, Espírito do Eterno, que fazeis brotar sempre a santidade, que agis em Deus desde a eternidade! Vós, torrente de fogo do Pai para o Filho, Vós, tempestade que sopra força, luz e ardor nos membros do corpo eterno. Vós, chama eterna do amor, Espírito de Deus que dais forma aos viventes, Vós, rio de fogo vermelho do Sempre-Vivente para os mortais! A Vós seja dado de novo e para sempre poder, glória e beleza, pela Vossa Esposa coroada de estrelas, nossa Mãe admirável!37

37 Esta admirável oração de louvor foi rezada por uma multidão incontável de santos Anjos na última aparição da Mãe de Deus em Marienfried, a 25.6.1946. Imprimatur: Augsburg, 27.10.1966. «É um eco daquele cântico apocalíptico que a grande multidão que ninguém podia contar, com os Anjos e os Anciãos, prostrada diante do trono, entoa.» (De uma homilia de festa do Bispo Dr. Rudolf Graber em Marienfried)

Anjo da Guarda conduz uma criança (pintura de Pietro da Cortona)

Anjo da Guarda conduz uma criança (pintura de Pietro da Cortona)

Consagração ao Anjo da Guarda

Santo Anjo da Guarda, que contemplais sempre a face do nosso Pai que está no Céu, a vós me confiou Deus desde o início da minha vida. De coração vos agradeço o vosso solícito cuidado. A vós me entrego e vos prometo o meu amor e a minha fidelidade. Peço-vos que me protejais contra a minha própria fraqueza e contra os assaltos dos espíritos malignos. Iluminai o meu espírito e o meu coração, para que eu reconheça e cumpra sempre a vontade de Deus; e conduzi-me à união com Deus, Pai, Filho e Espírito Santo. Ámen.38

38 A principal tarefa dos santos Anjos é o louvor de Deus. Mas também são por Ele encarregados de travar a grande batalha contra Satanás e todos os espíritos malignos, sob o comando da Santíssima Virgem. A sua posição é, portanto, essencial nos planos vitoriosos da Mulher vestida de sol contra o dragão vermelho: Embriagada com o sangue dos santos e com o sangue das testemunhas de Jesus. (Ap 17,6) E, como estão sempre ao nosso lado na luta, para nos dar força e coragem, para nos ligar as feridas e nos defender do Maligno, é importante permanecer sempre na sua companhia.

Vem, Senhor Jesus – Maranatha! Ap 22,20

O Santíssimo Nome de Jesus esteja no meu coração, esteja na minha boca, esteja na minha língua.

O Santíssimo Nome de Jesus ilumine o meu entendimento, purifique a minha imaginação, fortaleça a minha vontade!

O Santíssimo Nome de Jesus esteja em mim, esteja sobre mim, esteja diante de mim, esteja ao meu lado, esteja em todos os meus pensamentos, palavras e obras.

O Santíssimo Nome de Jesus seja a minha protecção contra todos os maus assaltos e tentações.

O Santíssimo Nome de Jesus preserve-me de todos os pensamentos pesados, de todo o desânimo e desalento.

O Santíssimo Nome de Jesus seja a minha confiança inabalável, a minha força e fortaleza, a minha esperança e segurança na vida e na morte! Ámen.

Verão a Sua face, e o Seu nome estará inscrito nas suas frontes.
Nunca mais haverá noite, nem precisarão da luz da lâmpada ou da luz do sol, porque o Senhor Deus os iluminará, e reinarão pelos séculos dos séculos. Ap 22,4-5